domingo, 20 de julho de 2025

Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)


Antes de qualquer coisa, não sou um crítico de cinema, apenas e tão somente um apreciador de filmes e séries, condição que me permite escrever sob o ponto de vista de alguém que não precisa mapear detalhes a respeito de qualquer uma dessas produções. Tenho acompanhado algumas críticas negativas a respeito do novo filme intitulado “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado”, lançado no Brasil no dia 17 de julho de 2025. Por envolver nostalgia que remonta a uma época em que eu ainda assistia televisão “largado” no sofá sob a atmosfera do descompromisso natural da idade (os tais boletos ainda eram ficção científica na minha vida – risos), não terei o rigor técnico de um especialista para qualificar sequência de cenas que porventura fugiram do meu agrado.

Um filme que se preza a resgatar o espírito da ideia original, sem perder de vista o farol norteador do tempo presente, certamente terá que enfrentar desafios, pois o público está cada vez mais exigente e menos paciente. A pressa se tornou um critério de pontuação inusitado, superando muitas vezes mensagens subliminares de enredo e aspectos visuais que escapam de uma percepção atenta e focada durante a experiência imersiva. Largar o telefone móvel para assistir a um filme é um esforço homérico, talvez o exercício cultural mais difícil de se realizar hoje em dia. Nesse turbilhão de variáveis temos o tal filme que traz à luz os evitáveis acontecimentos do último verão. Um grupo de jovens provoca culposamente um acidente automobilístico e, diferente do primeiro filme, informam às autoridades locais, tudo para minimizar o remorso coletivo.

Tudo isso aconteceu onde? Em Southport, é claro! Cidade litorânea em que tudo acontece (apesar de não chegar nem perto das esquisitices de Riverdale – risos). Sem spoiler, já que o filme é pão fresco na fornalha dos cinemas, esse grupo passa a ser perseguido por uma figura vestida com uma capa de chuva, um chapéu de pescador (não sabia que pescador tinha esse ornamento!) e um gancho sedento por sangue. Levei uns dois sustos durante a exibição no cinema, o que me deixou tremendamente satisfeito, uma vez que eu conheço a receita desse bolo de nozes (para quem entendeu a analogia), sem contar a presença ilustre dos personagens sobreviventes das histórias anteriores, a Julie (Jennifer Love Hewitt) e o Ray (Freddie Prince Jr.). A nova safra de atores ainda carece de um certo aspecto natural de atuação, acredito que a decoreba de roteiro não seja o antídoto para todos os males, é preciso encarnar e dar vida ao personagem (estou falando algo que na teoria é muito fácil!).

Em vez de despejar críticas cansadas e urgentes de atenção, prefiro atentar às inúmeras possibilidades de roteiro que o filme trouxe, como a minha dificuldade em descobrir a autoria dos assassinatos, por diversas vezes me peguei silenciosamente sendo “desmentido” no cinema. Errei o “assassino” pelo menos umas cinco vezes, não por incompetência, mas por mudanças de direção do roteiro, algumas com êxito, outras nem tanto. Os protagonistas de 1997 e 1998 foram inseridos como aquelas peças de quebra-cabeças com encaixe forçado, meio que na “marra”, mas acabaram entrando na história. Não gostei como foram aproveitados, talvez aí seja um sangramento difícil de ser estancado. Como eu vejo o lado positivo, só o fato deles terem topado a empreitada, independente do motivo, já me deixou alegrinho (risos). Muitos falarão em desperdício de talento, pode até ser, mas ainda insisto na nostalgia, uma carta alta nesse jogo de subjetividade.

Outra coisa a ser considerada é a atmosfera criada dentro da sala de cinema. Um telão gigante, poucas pessoas presentes e um silêncio quase absoluto faz toda a diferença. Mesmo que o filme não seja bom, a experiência nessas condições realmente aflora um bom voto de confiança. Nada contra os dubladores, mas assistir legendado é para mim como manter o espírito dentro do corpo do ator/atriz. Em outras palavras, nada e ninguém conseguiu atrapalhar minhas impressões positivas, mesmo porquê se eu for tomar as impressões e análises somente pela ótica dos canais na internet, sobrarão poucas opções para eu assistir ou mesmo ficarei dividido entre os que atiram pedras com os que oferecem salva de palmas. Uso os canais como referência para elucidação de cenas que eu não entendi, não para buscar opinião pessoal, vou pela objetividade, pois a subjetividade é indispensavelmente um aspecto que não abro mão de tomar frente.

Em determinado momento o filme aborda um assunto que é tão delicado quanto as anteninhas de uma formiga operária: a questão psicológica das pessoas. Como solucionar traumas? É possível extraí-lo do ser humano afetado? Ou simplesmente “adormecer” o problema em um quarto trancado da alma para sempre? Partindo dessa Caixa de Pandora que reside em cada indivíduo, é possível refletirmos sobre aspectos que possam acionar gatilhos que jamais acreditávamos que poderiam emergir à superfície. É nesse instante que eu percebo como a engrenagem pode ruir com um simples desarranjo comportamental. Talvez o filme não tenha desenvolvido com a clareza necessária as cenas dessa natureza para melhor assimilação do telespectador, o que não invalida a intenção do enredo em escancarar um problema silente que assola dezenas de milhares de pessoas.

Antes de encerrar, e sobretudo pontuando sobre algumas cenas, não gostei de determinadas continuidades (ou falta delas), pois isso deixou margem para o roteiro receber uma enxurrada de críticas. Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado não é uma sumidade em excelência, ainda mais porque se passaram quase 30 anos dentro desse universo expandido de Southport (que continua com uma paisagem natural exuberante), onde novos personagens foram introduzidos, com a imperiosa missão de atender gregos, troianos e varzeanos. E claro, aos críticos barulhentos (risos). Filmes como esse precisam ter clichês e cenas malfeitas (mesmo que acidentalmente) para que sejam cultuados no futuro, assim fazemos com produções antigas, pois vai se criando uma espécie de charme que melhora com o tempo. Assisto com olhar de entretenimento, sem o peso obrigatório e muitas vezes intrínseco da profissão de “precisar” gostar para escrever boa resenha ou não gostar para listar 480 erros. Talvez a despretensão seja o tal “pulo do gato” dentro da minha realidade.

Nos vemos por aí, em breve!

domingo, 27 de abril de 2025

Jacob Tyler (2024)

Para falar sobre um filme europeu, temos que ter em mente que a abordagem narrativa dos diálogos e até mesmo na condução das cenas é muito diferente do que estamos acostumados em relação aos filmes norte-americanos. Dito isso, acabei de assistir a película “Jacob Tyler”, lançado em 2024, sendo produzido, dirigido e estrelado no papel principal por Mitchell James Ronald, jovem britânico de 28 anos de idade e que já apresenta bons traços de habilidade em criar enredos complexos. É importante destacar que esse foi o primeiro filme produzido por ele, e logo de cara uma produção com mais de 2 horas de duração, uma aposta alta que, independente do resultado, merece ser enaltecida pela coragem.

A história começa com um rápido feedback, no qual o protagonista, vivido na pele de Jacob Tyler (Mitchell James Ronald), é espancado por um grupo de jovens por um motivo não revelado, mas que já expõe desde o início um problema crônico de violência que ocorre no mundo inteiro. Depois disso, é mostrado várias cenas propositalmente malfeitas de vídeos amadores publicados em redes sociais retratando indivíduos usando máscaras de palhaço no cometimento de atos de violência contra pessoas totalmente indefesas (e ainda que alguma forma de resistência fosse apresentada pelas vítimas, só o vandalismo por si só já definia a covardia mostrada em tela). Para circundar o espectro dramático, as cenas são tratadas com pouca luminosidade e muitas sombras, outro obstáculo claustrofóbico para os potenciais alvos.

O protagonista retorna do cumprimento obrigatório do Exército e percebe que a vida na pequena cidade de Calder (espero que seja realmente o nome fictício desse lugar – por favor responsabilizem o site Filmow pela informação – risos) prosseguiu sem maiores acontecimentos. Mas essa cortina branca logo se empalidece com a atmosfera estranha percebida em pequenos acontecimentos, como um assalto em plena luz do dia, em que os amigos de Jacob fazem vista grossa para a vítima mulher, enquanto que Mitchell intervém e consegue restabelecer a ordem. Aquilo já coloca uma “pulga atrás da orelha” do que realmente estava acontecendo naquela cidade, aparentemente calma, mas cheia de segredos adormecidos. Jacob se estabelece em sua casa junto com a irmã Beth Tyler (Keryn Matthew), onde fica evidenciado num rápido diálogo que seus pais faleceram recentemente.

Após essa introdução que consumiu quase 15 minutos de tela, uma festa surpresa para celebrar o retorno de Jacob é organizada pelos seus amigos dos tempos ginasiais, onde vários personagens são apresentados na trama, alguns com boa espontaneidade, outros mais introvertidos dentro de atuações básicas e robóticas. As construções dos diálogos foram um pouco confusas, ainda que eu tenha conseguido entender os arcos não resolvidos ou pendentes nas relações, principalmente as paixonites retraídas entre os eventuais casais. Na hora eu pensei: coisas da idade! A “saída à francesa” de Jason (Cameron Gow) foi percebida lá pelas tantas e após Henry (Yannik Borzynski) telefonar para o amigo, confirma o fato. Jason está caminhando numa estrada em completa penumbra e percebe que está sendo seguido por alguns “vultos”. Ao registrar uma foto com flash para poder identificar melhor, descobre que três indivíduos usando máscara de palhaço estão no seu encalço, momento em que ele começa a correr e adentra um matagal mais escuro ainda (nada inteligente da parte dele!).

Os detetives Abrams (Ibrahim Bakhait) e Fazier (Rohanne Woods) são encarregados do caso e logo as buscas são iniciadas. Só achei estranho a polícia não seguir o prazo de 24 horas para efetivar um caso de desaparecimento e a partir disso iniciar esse procedimento operacional (não sei se no Reino Unido a lei é diferente). Jason é milagrosamente encontrado vivo, desacordado na mata, todo machucado, resultado nítido de um espancamento coletivo. Enquanto Abrams é retratado como um policial com mais experiência e lida com problemas particulares, a detetive Fazier é uma novata e que num primeiro momento está mais preocupada com a pronúncia correta do seu nome. Não gostei muito dos estereótipos de ambos, a impressão que eu tive é que eles estavam muito retidos a um roteiro programado, mas isso foi apenas um incômodo passageiro.

A principal informação da história enfim foi escancarada diante de Jacob, ao saber que uma gangue de indivíduos usando máscaras de palhaços tem causado um inferno aos moradores locais. E o objetivo da gangue é o tráfico de drogas, por meio do envolvimento de intermediários (muitos deles metidos nesse meio devido a problemas financeiros). E os intermediários são bem próximos de Jacob, que custou a acreditar que seus amigos teriam qualquer relação com a gangue. Ocorre que Jason encontra o fim logo após sair do hospital, um personagem que foi marcado por usar uma camiseta do Iron Maiden e que pouco acrescentou à trama, somente confusão e uma atitude pouca espirituosa. Uma pessoa que é atacada por marginais mascarados, que consegue escapar vivo após ser espancado, é no mínimo pouco inteligente voltar à rotina normal e sair andando à noite pelas ruas como se nada tivesse acontecido, não?! Pois bem, ele pagou pra ver e isso custou caro!

A partir daí, o espírito corajoso de Jacob, transformado após uma importante vivência no Exército, resolve fazer justiça com as próprias mãos, saindo à noite, todo encapuzado e com uma máscara dissimulada no rosto. É aí que identifiquei falhas de continuidade em certas cenas, além do descaso policial em fazer rondas nas ruas, além de toda uma “bolha” colocada propositalmente nas cenas para pavimentar o sucesso do protagonista. Ainda que ele tenha se envolvido em brigas corpo a corpo com um dos palhaços, é nítido que a cidade opera por “controle remoto”, pois parece que se “congela” tudo para que o protagonista consiga lidar com essa célula da gangue. Outra personagem bastante questionável foi a Rachel, interpretada pela atriz Abby Fisher, que no passado foi a namorada (ou quase) de Jacob. Intervenções bastante monótonas, com um roteiro decorado, apesar do esforço da personagem em ser mais incisiva. Ela queria o bem do rapaz, apesar de não mover um palmo do metro quadrado a que foi destinada a atuar.

Gangue dos Palhaços
Gangue dos Palhaços

Não se enganem com a minha disposição com o filme até aqui, estou gostando, pois a empatia que eu criei foi o suficiente para adentrar à aquele universo de poucas respostas e muita penumbra. Enquanto a gangue era sabida do conhecimento de todos, a inoperância do distrito policial me deixava constrangido, não era possível que uma mísera operação não era montada para tentar interceptar contatos diretos e indiretos, com a finalidade de desmontar o tráfico. Mas tudo bem, a proposta do enredo era enaltecer a indignação do Jacob, que tentava entender o que estava acontecendo desde sua partida para o Exército. Outro amigo de Jacob que estava envolvido com o tráfico, Dominic (Reece Young) foi esfaqueado pelos próprios comparsas que viram nele um alvo identificado na gangue mascarada e que poderia trazer problemas futuros.

O filme poderia ser encurtado? Sim, mas eu estava curioso e com boas expectativas para seguir o raciocínio de seu idealizador, uma vez que derrubar uma organização criminosa, independente do tamanho dela, requer muito mais que apenas dois punhos cerrados. O policial Abrams protagonizou uma cena bisonha, quando interrogou o dono de uma suspeita mercearia, ao sair do local, resolveu investigar clandestinamente e ao ser surpreendido pelo proprietário, foi espancado e pediu clemência para não morrer ali. Foi um momento degradante, apesar que a “fácil” cooperação com o protagonista que havia arquitetado um plano para surpreender e prender a gangue tenha sido a famosa “manobra” de enredo, foi pior ainda. E quem seria o palhaço infiltrado (ou ela) que apareceu sorrateiramente na casa de Sarah (Sarah Black)? Propósito somente em aterrorizá-la? Ou têm mais coisas obscuras nessa investida misteriosa?

Ao final, todos os membros (será mesmo?) reunidos numa área de matas, onde o dia e a noite celebraram uma união sem noivado, onde o líder da gangue fora finalmente revelado. Um tal de Gaz (David McCallum), um ser errático desde os tempos adolescentes, que praticava bullying de todas as formas no Jacob e nos demais envolvidos desde os tempos de escola. Ocorre que ele construiu uma sofisticada rede de tráfico de drogas, arregimentando desesperados por dinheiro e outros que possuíam algum “podre” do passado que, caso fosse revelado, arruinaria a vida da pessoa para sempre. Mas Jacob teve uma ideia interessante e astuta, porém, vou parando por aqui, terão que assistir para saber o que aconteceu. Sobre continuidade, ainda que o filme seja o embrião de um diretor que acabou de debutar no universo cinematográfico, estou curioso para saber como a vida de Jacob e seus amigos seguiram após os fatos trazidos neste artigo.

Não sou muito adepto a notas, mas penso que o diretor poderia criar um universo pregresso um pouco melhor para os personagens secundários, já que todos eles levam a ROMA (ops, a Jacob!!!). O filme é extenso e ao mesmo deu pouca profundidade aos personagens, não ficou muito claro a relação outrora de Jacob e Rachel, uma vez que houve pouco contato que levassem a uma intimidade entre eles (não falo de relações sexuais explícitas, mas sim de diálogo). Outro ponto a ser melhor abordado é o restaurante do tal Chad (Alan Clark), receptivo com todos, mas que não fornece nada de importante para a elucidação da gangue (inclusive reconhece que tem funcionário que ‘trabalha’ para o tráfico). No fim, não mostra a continuidade da dupla dinâmica policial, não traz uma conversa “clichê” deles sobre a grande prisão ocorrida, enfim, são lacunas que careceram de uma boa argamassa conclusiva.

O diretor Mitchell James Ronald tem pleno potencial para desenvolver boas tramas, só precisa encontrar os melhores laços para que na hora de desatá-los, seja de forma que não deixe o telespectador com mais dúvidas do que certezas. Se é um filme policial com toques de drama, ainda mais a respeito de um assunto presente na realidade cotidiana, precisa ser melhor trabalhado para que as pessoas possam vislumbrar resultados que sejam pelos caminhos legítimos das forças do Estado e não por ações isoladas calcadas em fatores casuais como sorte e oportunidade fora dos trâmites da lei, ainda que por altruísmo consolidado pelas atitudes de desejar a erradicação de células perniciosas para a harmonia do bem coletivo. Espero ver esse diretor em ação mais vezes, pois provou que merece oportunidades para construir coisas maiores! Falam que histórias por mais de 2 horas são arrastadas, mas quem diz isso está desacostumado com as produções britânicas, provavelmente não conhecem a belíssima (e longa) série policial VERA, que traz episódios extensos!

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Filmes que vi e não gostei

Queridos amigos, estive um pouco ausente por diversas razões que provavelmente renderiam um bom livro de histórias aleatórias. Nos últimos dois meses fiz diversas atividades, desde corridas de rua, treinos bem aproveitados na academia, shows de rock pela cidade de São Paulo, cervejada com amigos depois do trabalho e outros que tais. Mas deixando de lado as minúcias de minha vida privada, quero trazer dois filmes que assisti recentemente e mesmo com toda boa vontade planetária, eu não consegui criar algum laço de ternura com essas produções. Escrever sobre coisas que gostamos é uma grande moleza, mas pontuar as decepções é um desafio que raramente conseguimos com excelência sem avacalharmos um pouco além do que o assunto analisado merece. Let’s go!

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Não é o fim



Começando pelo filme “Não é o fim” (It’s Not Over – Itália/2022), que traz a história de um casal que enfrenta problemas no casamento. Enquanto o marido é um médico daqueles plantonistas no horário noturno/madrugada, a esposa (Sarah – vivida pela atriz Weronika Rosati) é uma fotógrafa com bastante potencial e que tenta manter a casa em ordem nas horas de folga. Para incrementar a história com querosene, ela trai o marido com uma certa frequência (Albert – John-James Colvin) nos momentos em que ele não está em casa – todo esse contexto é apresentado nos primeiros quinze minutos de filme. Ocorre que o marido é uma figura extremamente violenta, especialmente quando está alcoolizado, chegando às vias de fato contra sua esposa por motivos que beiram o ridículo (cobranças sem nexo ou fora de sintonia para a ocasião, coisa típica de quem perde o controle com a bebida.

Um belo dia o marido aparece morto dentro da casa, aparentemente golpeado na cabeça, na qual as autoridades chegando rapidamente à conclusão de que ele escorregou e teve um traumatismo craniano após a queda. Começo do filme e as coisas vão sendo entregues de bandeja, sem contar a falta de tempero dos personagens. Sarah mal cumpre o seu luto e já está com o namorido (Max – Gianni Capaldi) dentro de sua casa, ainda que ele não more lá, mas passa a maior parte do tempo com ela. Reconheço que o ex-amante dela e agora atual namorado é um boa praça, com boas qualidades que toda mulher gostaria de ter em um parceiro. Max é um tanto curioso e ao explorar a casa de sua girl, descobre coisas estranhas, como fotos reveladas de animais mortos (mutilados), registros feitos provavelmente por Sarah. É aí que a coisa toda colorida começa a desbotar.

Sarah não curte muito ser interpelada pelo namorado a respeito de suas atividades profissionais e o clima fica com tendência a azedar entre eles. Até que ela revela que é uma fotógrafa/artista, tentando provar que a natureza do seu trabalho é comum (apesar de ser um tanto incompreendido). Max que é perfeccionista, descobre sem querer uma informação importante a respeito de Sarah e quando se dá conta do que descobriu, é esfaqueado pela moça que minutos atrás fazia juras de amor a ele. Claro que temos uma morte bem chocante, afinal, o cara mais legal do filme já não estava mais entre nós. Sarah desaparece com o corpo e faz “cara de parede” quando os pais do Max a visitam procurando pelo filho, desaparecido há vários dias. Mais clichês? O pai de Max vai até a polícia e lá se depara com um tira cansado que não faz esforço nem para ir buscar um copo de café, quanto mais abrir investigações sobre o rapaz desaparecido. O detetive (Ian Reddington) tenta enrolar um preocupado Frank (Christopher Lambert) ao dizer que tem responsabilidade com o gasto público (que lição de moral mais infame ao dizer isso a um pai que está a beira de um colapso nervoso?!).

Os dias vão se passando e nada de Max aparecer, só em visões distorcidas e fantasmagóricas nos pesadelos de Sarah. Após quase enlouquecer com visões do ex-namorado, Sarah resolve ir até o local onde enterrou o cadáver e para seu alívio, ele está lá enterrado. Ocorre que ela foi seguida, eis que o restante do filme deixarei a cargo de quem leu até aqui o meu humilde resumo. O que não gostei ao assistir o filme foi a necessidade do diretor em querer explicar cena a cena ao telespectador, praticamente não teve mistério para quem estava assistindo, só a certeza de que a cena seguinte sempre viria com um gabarito completo do momento anterior. Isso desidrata completamente a densidade do mistério e faz evaporar qualquer clima de empatia, é como se o filme fosse obrigado por força de contrato a ser previsível, sem se importar com qualquer outra coisa, haja o que houver.

E claro, fiquei decepcionado com atuações pouco inspiradas e com roteiros decorados a técnicas de Telecurso 2000. No meu perfil pessoal do Instagram até cheguei a dizer que o filme é um bom passatempo para uma tarde de sábado, o que ratifico aqui, porém, se você encontrar coisa melhor pra fazer, diria para esgotar suas possibilidades antes de debruçar sobre esse filme com nota máxima valendo 2 e sem troco! Não disse?! Falar de filme bom é moleza, quero ver ter boa vontade escrita para resenhar algo que não precisamos só descer lenha, mas sim encontrar motivos razoáveis para dizer que poderia ter sido melhor se tivesse adotado um outro caminho. Filme disponível no serviço de streaming do Looke.

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Mistério na Índia



O nome original é “Backwaters” (Estados Unidos/2006), mas a tradução tentou deixar um ar de curiosidade na capa. Outro desperdício cinematográfico que tive a oportunidade de conferir. O meu tempo para ver esse filme nem chegou a ser um problema, segurei as pontas por cerca de 80 minutos e rapidamente “me despedi” dele sem qualquer remorso. O filme mostra um casal aparentemente bem-sucedido, ela uma atriz de cinema (Lili Taylor – interpretada por Tamzin Outhwaite) e ele (Andy Becker – vivido por Nicholas Irons), um escritor de romances que enfrenta um bloqueio criativo. O casamento deles não é lá essas coisas, e quando eles vão para uma “agitada” festa da alta sociedade, algumas situações já revelam que o caldo vai entornar muito em breve. 

Ainda sobre a festa, enquanto Lili provoca um clima com um importante produtor de cinema (ele aceita sem objeções), seu marido é cobrado pelo seu Agente a respeito do próximo livro, e o desconforto toma “sufoca” o ambiente por não ter a melhor resposta. Momentos depois, a atriz é flagrada pelo marido no “rala e rola” num dos quartos da mansão (o que já azeda de vez o clima para ele, apesar de presenciar a cena sem se fazer alarde, ele se retira do local com a testa doendo). Apesar de alegar ter bebido somente uma dose de uísque, Andy e Lili entram no carro (ela aos trôpega e quase desacordada = teor alcoólico pra lá de Bagdá) e assim vão embora. Ocorre que Andy dorme ao volante e ambos sofrem um acidente.

Depois de um salto temporal de 6 meses, a vida deles seguiu mais morosa que uma tartaruga disputando uma maratona no deserto, ela numa cadeira de rodas e o marido servindo preso a uma vida infeliz, ainda que ileso fisicamente do acidente que acometeu gravemente sua esposa. Os médicos realizam diversos exames nela e nada clínico é detectado, acreditam que um trauma psicológico decorrente do acidente é o que está impedindo Lili de voltar a andar. Ela, que está mais ranzinza do que nunca, fica inconsolável por ninguém conseguir devolver sua autonomia de locomoção, enquanto que um dos médicos sugere que o casal recorra a um tratamento alternativo. Nisso, o irmão da Lily (Jason Weiss, interpretado pelo ator Jason Flemyng) sugere ao casal ir à Índia realizar um tratamento especial, à base de massagens com ervas medicinais.

O casal chega à Índia e Lily é recepcionada como celebridade (a novela em que ela é protagonista está em exibição no país) e rapidamente devolve à mulher uma autoestima que há muito não se via. A relação do casal segue feita como água e óleo, e nesse ínterim, Andy se depara com a belíssima Sara Varghese (Sandra Teles) banhando-se em um lago intimista nos arredores do hotel em que ele está hospedado. Rapidamente eles criam um vínculo perigoso, pois Sara é casada e a câmera mostra alguém observando-os sempre que estão juntos (inclusive nas cenas impróprias para menores de 18 anos). Quando esse triângulo começava a criar forma de “lei do retorno”, Lily desaparece do hotel e reaparece morta na encosta de uma praia. Todas as suspeitas recaem para Andy, que não tem muito como explicar seus sumiços e na única chance que tem, é traído por Sara, que não confirma sua história para a polícia.

Uma história paralela a isso é a filha do policial, uma adolescente que é muito curiosa e está sempre à frente do computador pesquisando (curiando) as coisas, acaba descobrindo que o irmão de Lily não é de sangue, mas devido a uma relação do pai com outra mulher. Essa informação coloca o policial responsável pelas investigações com um dilema, apesar de teimar em manter sua posição de acreditar que Andy é o responsável pelo crime. Seguindo o exemplo do filme anterior, vou parando por aqui, deixarei o tal “Mistério da Índia” no ar, para ver se eu estou exigente demais para não ter gostado de como a coisa toda foi se desenvolvendo na trama. Não gostei pelo excesso de cenas descartáveis e até certo ponto meio que desafiando o intelecto de quem está assistindo.

Essa mistura de romance com mistério seguido de morte talvez quis trazer um pouco de Agatha Christie para a história, mas o resultado foi bem fraquinho, longe de uma sequência cinematográfica marcante, em que o resultado obtido somente os baixos orçamentos são capazes de promover, observado aqui claramente pela falta de recursos para cenas melhores. Ainda que a trama seja manjada pela motivação dos crimes, acredito que a receita pronta poderia ser melhor desenvolvida. É isso meus amigos, a curiosidade falou mais alto e acabei passando por momentos “desafiadores” de resiliência para ver esses filmes. Mas não levem minha opinião como resposta definitiva, convido-os a assistirem essas “tentativas” de longa-metragem, vamos “melhorar” o horizonte perceptivo que não consegui vislumbrar. Nota 3 só porque o filme atravessou o continente. Também no streaming do Looke.


sábado, 8 de fevereiro de 2025

V Meia Maratona de Avaré e 7K Alecrim


Por Daniel Gonçalves


É com grande satisfação que escrevo este relato a respeito da minha participação na V Meia Maratona de Avaré & 7 Km Alecrim. A prova ocorreu no dia 26 de janeiro de 2025, e diferente do título da prova, a distância foi um pouquinho mais que os tradicionais 21,097 metros, digamos que houve um arredondamento para 22Km. Para o leigo e o atleta bem treinado isso não faz diferença, mas para mim, que no momento não me considero nem uma coisa nem outra, faz um tremendo estrago (risos). E de onde vem esse nome Alecrim? Fácil, é o nome do restaurante que apoia o evento, e nada melhor que fazer o tal “merchan” logo na entrada de tudo!

Viajei à cidade de Avaré/SP na véspera, em um trajeto de ônibus, partindo da Estação Rodoviária da Barra Funda (São Paulo) com a duração aproximada de 3 horas e 15 minutos. E tudo correu perfeitamente bem, exceto pela ausência de entrada USB no encosto do assento (estou mal-acostumado). A passagem (só de ida) custou R$ 124,00, sem contar as taxas de serviço, que no final das contas totalizou R$ 161,32. Admito que estava meio por fora dos valores, apesar de saber que combustível, pedágios e os custos em geral encareceram bastante, não tenho informações suficientes para dizer se está caro ou barato, o que tenho plena consciência é que com as condições atuais, não é todo mundo que empreende viagens, perceptível pelo alto número de assentos vazios.

Ao chegar, me deparei com uma velha conhecida: a temperatura! Uma sensação de estar sendo cozido pelo sol escaldante e abafado. O tal mormaço que sentimos quando estamos em uma praia, era exatamente a sensação que eu estava sentindo naquele instante e que seria a tônica do meu final de semana em Avaré/SP. Fui logo retirar o kit de participação, que consistia numa bela camiseta, chip retornável, número de identificação e alguns alfinetes. Pelo preço da inscrição (R$ 70 + impostos) até que foi razoável. Sem filas, essa parte da logística foi espertamente montada na entrada do Restaurante Alecrim, tudo facilitado por estar localizado no centro da cidade, onde tudo era perto de tudo, sem a necessidade de grandes deslocamentos.

Aproveitei a ocasião e já almocei no local, que é oportunamente prestigiado no título dos 7 Km do evento (prova menor é uma boa alternativa para deixar o evento com mais presença de participantes). Gastei cerca de R$ 75, entre o almoço por quilo e o famigerado refrigerante. Também experimentei uma Limonada Suíça e Morango (deliciosa!). Em seguida, fui atrás do Pão de Açúcar da cidade, conforme consta até hoje no Google Maps. Para minha surpresa, o local já não existe mais (desde o final de 2023) e no lugar vigora uma loja de departamentos. Primeira bola fora, o tal GPS erra até para quem está a pé (risos). Bom mesmo foi perceber que Avaré/SP aparentemente é uma cidade pacata, pelo menos naquela primeira impressão, o que constatei involuntariamente foi o grande número de farmácias, talvez um dia eu descubra o motivo.

Mas tudo bem, primeiro percalço superado sem traumas, já que havia um supermercado na mesma avenida (Supermercado Dona Maria – nunca tinha ouvido falar – mas gostei da grande variedade de opções). Momentos antes, não pestanejei e passei na farmácia para comprar protetor solar, era urgente para a ocasião. Cheguei ao Avaré Plaza Slim (cerca de 1,3Km de onde eu estava) e rapidamente liguei o ar-condicionado. Quarto simples mas acolhedor. E custou uma justa bagatela de R$ 158,00 (1 diária via Booking). No aplicativo era informado que o café da manhã não estava incluso, mas quando cheguei à recepção do hotel, fui informado do contrário, que haveria o desjejum das 06h00 as 10h00 (boa notícia para compensar a pernada à toa em busca do Pão de Açúcar momentos antes).

Ainda no sábado, preocupado em estar devidamente alimentado, já que o desafio do dia seguinte causava mais medo que prazer, fui procurar uma pizzaria. E a busca foi bem sucedida, depois de uma caminhada de aproximadamente 20 minutos, cheguei à Pizzaria Paulistana, um local extremamente aconchegante e com acabamento rústico conservado, tive a sensação de recuar algumas décadas no tempo dentro daquele lugar. Os meus R$ 77,00 entre um broto e refrigerantes foram bem gastos! Fiquei no dilema entre dormir com o ar-condicionado ligado ou deixar o calor ocupar plenamente o ambiente, mas acabei optando pela tecnologia e dessa forma encerrei o meu sábado, véspera de uma grande escalada que me aguardava no dia seguinte.

Acordei por volta das 04h45min e rapidamente me aprontei para a batalha. A distância do hotel em relação ao Horto Florestal de Avaré não chegava a 1Km, e em poucos minutos já me encontrava dentro do grande espaço verde. Nada de chuva, apenas a expectativa pela claridade, já que 05h30 em Avaré ainda estava escuro. Só lembrando que a largada para os 22Km estava prevista para 06h00 e os 7Km às 07h00. Aos poucos os corredores foram surgindo e deixando a área de concentração do evento bem movimentado, cada um com sua forma de preparo, uns dando pequenos trotes de aquecimento, outros realizando alongamentos, outros simplesmente sentados em grupos com as velhas conhecidas resenhas que toda corrida tem. Optei por ficar circundando o local, para me “ambientar” ao mesmo tempo em que repassava mentalmente meus planos para a prova (tentar correr bem solto no início para chegar “inteiro” fisicamente na metade da prova).

A largada ocorreu às 06h23 (atraso que fiquei pensando como poderia ser oneroso quando o sol resolvesse marcar presença), mas não tinha outro jeito, o negócio era correr e se divertir. Os primeiros 3Km foram com os corredores bem próximos um dos outros, em uma superfície totalmente de terra batida, e por ser na região de uma reserva natural, muitas árvores pelo caminho. As subidas enganavam, pois não eram íngremes, mas convidativas a acelerar o ritmo, levando o corpo a acreditar que se tratava de momentos fáceis. E eu fui levado por essa “armadilha”, acelerei em trechos que me custou energia mais adiante. Quero deixar claro a minha “culpa no cartório”, eu realmente não havia treinado o suficiente para estar na plenitude física de encarar aquele desafio, mas fui com a cara, coragem e um atrevimento juvenil de iniciar o ano com uma prova complicada.

Diferentemente da minha “era de ouro” das corridas de aventura, tive que conviver com o fato de não estar em condições de ser ousado, de propor uma atitude com velocidade progressiva, fui obrigado a manter um ritmo de trote moderado a partir do Km 12, antes disso vinha num ritmo constante em que raramente era ultrapassado, com o contrapeso de que também não fazia ultrapassagens (galera no geral mandou bem nessa prova). A partir da metade do percurso, tive que entender que o meu corpo só responderia a comandos básicos do tipo “vamos completar a prova, não tente performance, a meta hoje é de sobrevivência esportiva”. E assim fui sendo “convencido” a seguir de forma burocrática, sendo que nas subidas com cara de barranco eu caminhava, tentando compensar nos trechos de retas.

O meu composto muscular, pernas, caixa torácica e o organismo em si, estavam ótimos, sem dores decorrentes de excesso de carga, nem nada que realmente pudesse me atrasar pelos dias posteriores. Mas eu estava numa condição de cansaço que havia experimentado poucas vezes na vida, nem mesmo o final de semana correto, desde a parte de alimentação, descanso e outras precauções tomadas foram suficientes para escapar de um a fadiga extrema que eu estava sentindo. Fato motivador mesmo foi encontrar alguns corredores pelo caminho (que me alcançaram, já que eu não tinha a mínima condição de “buscar” ninguém) que ora caminhavam no mesmo instante que eu, ora arriscavam reiniciar o esforço de correr e sempre bastante simpáticos, todos com suas estratégias para completar a prova. Tinha um fotógrafo pelo percurso, Walter Contessotti Júnior, que fez ótimos registros, e aqui deixo os meus agradecimentos.

O serviço de hidratação foi bem executado, não faltou água em nenhum dos momentos por onde passei, sendo que lá pelas tantas, acredito que próximo do KM 15, teve frutas e isotônico (ou suco de uva, não lembro ao certo, sei que era sabor uva, gelado e adocicado – risos). Em vários momentos me vi correndo sozinho, com figuras minúsculas de atletas no horizonte, situação similar quando arriscava olhar para trás. Momento esse que me conectei com vários pensamentos, nenhum deles negativo, mas sim reflexões de vida, e a gratidão por estar naquele lugar fazendo algo que comecei em 2001, quando tinha 16 anos de idade. No alto dos meus 40 anos, me sinto forte mentalmente e com saúde suficiente para manter um legado pessoal do qual me orgulha nas corridas de rua e de aventura.

Foto: Walter Contessotti Jr.
Foto: Walter Contessotti Jr.

O grande trunfo da organização, fator praticamente imbatível em qualquer roda argumentativa é o percurso ser em volta única, diferente das famigeradas provas de 21KM na cidade de São Paulo, que consiste em trechos de ida e volta (metade/metade), e que, dependendo do trajeto, fica terrivelmente entediante correr em tais condições. O percurso se torna desafiador e ao mesmo tempo um sentimento constante de expectativa, pois cada pedacinho percorrido não será visto novamente. Nisso eu tenho que aplaudir em pé os envolvidos, uma empreitada que foi com sobras bem-sucedida. E o final, entre trilhas fechadas e sinuosas, com retas que aliviavam o esforço anterior, foi praticamente como ser puxado por uma força invisível, da qual eu agradeço por saber que nos momentos extenuantes, existe uma última cartada para salvar todos.

Foto: Walter Contessotti Jr.

De um total de 176 corredores, entre homens e mulheres, fiquei na posição de número 130, o que comprova tudo que escrevi neste relato, resultado da soma de diversas dificuldades, mas todas vencidas, sem perder de vista a maravilhosa experiência de correr (e caminhar) na cidade de Avaré/SP. Fechei com o tempo de 02:11:47, praticamente com o tanque de energia vazio, mas com a sensação de ter superado mais um desafio. Nem preciso dizer que me sinto em débito com essa corrida, na qual eu coloquei na lista de prioridades, com o objetivo de retornar em 2026 e fazer um papel mais condizente com o que posso oferecer. Peguei a belíssima medalha, além de me servir de um ótimo banquete de frutas, com suco e água em abundância, que podia pegar à vontade. Pelo calor e mormaço queimando os neurônios aquela altura, não fiquei para ver a premiação, rapidamente retornei ao hotel.

Ainda consegui tomar um mega café da manhã no hotel, e antes de entregar as chaves na recepção e fechar a conta, pude descansar por uns bons 40 minutos. A minha aventura estava chegando ao fim, com a partida do ônibus prevista para às 13h00. Peguei um baita congestionamento no caminho, acompanhado de um dilúvio, e o que era para ser uma chegada às 16h30, foi verdadeiramente acontecer às 18h10, no Terminal Rodoviário da Barra Funda. A passagem de volta custou um pouco menos, o valor de R$ 156,61. Fiz questão de trazer os valores, para nortear a pessoa ter uma noção do quanto mais ou menos gastará num final de semana no interior de São Paulo. Uma curiosidade, antes de viajar, ainda no Terminal Barra Funda, comprei uma garrafinha de água 500ml por R$ 8,00. No retorno, dentro do Terminal Rodoviário de Avaré, comprei a mesma garrafinha de água (não lembro se era da mesma marca), aí a minha cara de surpresa: R$ 3,00. Custa caro morar na cidade de São Paulo!

Antes de finalizar, quero agradecer ao Clayton Macario, um dos organizadores do evento, que me ajudou com informações sobre ônibus e também a respeito da prova, isso desde novembro de 2024, quando enviei mensagens via whatsapp com dúvidas. Sempre solícito e disposto a ajudar!

Encerro por aqui. Agradeço aos que me acompanharam nas linhas acima. Até a próxima!

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Informações importantes:

Site da prova/inscrição: Runner Brasil

Resultados da prova: Todos os Resultados

Fotos: Walter Contessotti Jr. (Instagram / Facebook) e o site Foco Radical.

Restaurante Alecrim: @alecrimavare (Instagram).

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Pearl (2022)


Por Daniel Gonçalves


Estou gostando dessa história de resenhar os filmes que assisto, claro que isso não se aplica em todos, mas reconheço uma motivação interessante para escrever os textos que levo ao ar neste espaço. A bola da vez é o filme Pearl, de nacionalidade dividida entre Estados Unidos e Canadá, lançado em 2022. Fiquei impressionado com a qualidade fotográfica da produção, tanto nos ambientes externos, quanto nos locais fechados, isso conta pontos valiosos no resultado final (para mim nota máxima nesse quesito). Conta também com uma trilha sonora bastante envolvente, que aumenta a tensão instalada naquela atmosfera fervente. Entre uma pausa e outra, péssimo hábito que tenho, descobri que esse filme pertence a um universo expandido, com mais duas produções, desenvolvidas para formar uma trilogia. Pearl é o início da história, portanto, vamos lá!

Tudo começa em 1918, ano marcado por grandes acontecimentos no mundo, onde temos os momentos finais da 1ª Guerra Mundial assolando a Europa, e a Gripe Espanhola, pandemia que ceifou milhões de vidas. Nesse cenário, uma família vive do jeito que é possível, no interior do Texas, nos Estados Unidos. Pearl (Mia Goth), sua mãe Ruth (Tandi Wright) e seu pai, interpretado pelo ator Matthew Sunderland são os personagens com mais tempo de tela e que estruturam boa parte da trama. O pai, acometido por uma doença que o paralisou por completo, vive numa cadeira de rodas em estado praticamente vegetativo. A mãe, uma religiosa fervorosa, cuida dos afazeres domésticos do rancho e vive mergulhada em uma amargura depressiva prestes a explodir em sentimentos confusos e desproporcionais. Já Pearl, uma jovem que deseja se tornar dançarina de teatro e fazer muito sucesso pelo mundo.

Pelo tamanho da casa de campo que vivem, aparentemente eles não são uma família pobre, mas a doença do pai, somada com as limitações impostas pela guerra, reduziram drasticamente a condição financeira deles. Tanto que os animais são escassos, possuem somente uma vaca leiteira, um carneiro e alguns gansos que ficam perambulando pelo local. Os poucos centavos economizados pela mãe são para comprar migalhas na cidade e remédios para o pai, o principal da lista, sulfato de morfina, para aliviar a dor física. Nesse ambiente, contaminado por uma tensão permanente, um sonho reprimido da Pearl, que utiliza a necessidade de ir à cidade para satisfazer pequenos caprichos, como por exemplo, ir ao cinema. Nele são rodados as primeiras películas, em um recinto esvaziado, muito por conta da pandemia e guerra acontecendo ao mesmo tempo (tem até o clichê de pessoas tossindo, apenas para reforçar a sensação de medo por contaminação).

Antes que eu me esqueça, Pearl é casada com um jovem idealista (e rico), Howard (Alistair Sewell), que foi voluntário a defender seu país na guerra. Ela demonstra um sentimento misto de ansiedade pelo seu retorno e ao mesmo tempo de revolta, pois queria ter ido com ele pelo simples fato de não suportar mais morar naquele rancho. Nesse momento percebemos alguns “gatilhos” sendo ativados na mente de Pearl, com pensamentos bizarros que passa bem longe dos norteadores escrúpulos de consciência. Não vou contar detalhes para evitar spoilers, mas adianto que Pearl inicia um processo perigoso de descontrole emocional, que a leva a um caminho sem volta. Delitos morais podem ser explicados (mas nunca justificados) pela opressão psicológica que sofre de sua mãe, que a desencoraja de praticamente tudo, definindo-a como uma alma condenada à viver sem grandes propósitos pessoais.

Entretanto, a mãe reconhece que Pearl possui desvios de conduta, por isso desaprova os sonhos da filha, que passa a ter um comportamento cada vez mais agressivo. Nesse ínterim, Pearl conhece um jovem que trabalha no cinema da cidade (interpretado por David Corenswet), e logo cria um laço amigável com o rapaz, mas que se torna impróprio nas cenas seguintes, por razões que ele desconhece, mas que ingenuamente acaba por encorajar Pearl a seguir com seus propósitos. Daí por diante temos sequências chocantes (diálogo verborrágico e agressões físicas) que passa muito pelo comportamento errático de Pearl, surpreendida pela mãe, que descobre mentiras contadas pela filha. De reações impulsivas e inofensivas no início, a protagonista passa a ter surtos psicóticos, com atitudes descompensadas, alterações no tom e velocidade da voz, enxergando qualquer um como inimigo e crises que só vão catapultando a imagem singela criada nas primeiras tomadas.

Quem assistir poderá pensar, num primeiro momento, que a mãe subestimou o estado psicológico de Pearl, mas eu interpreto isso como uma falta de informação do que o puro neglicenciamento com a situação. Ruth estava com o universo povoado pela ininterrupta vigília ao marido inválido na cadeira de rodas, um diálogo expressa bem esse fardo, quando ela diz que queria fazer o papel de esposa e não o de “mãe” do marido, dadas as circunstâncias que lhe foram impostas. E também estamos falando de 1918, uma época em que a tecnologia e comunicação ainda encontrava barreiras homéricas para difusão da informação (só havia o rádio e a carta). Para piorar, no meio de todo esse turbilhão de inconsequências, Pearl decide participar de um teste para dançarina organizado pela igreja da cidade, mola propulsora para mais problemas, começando pela irredutível desaprovação da mãe, que expressa argumentos duros e sem o menor sinal de empatia com a filha.

Eu ainda não assisti ao filme “X – A Marca da Morte”, lançado também em 2022, meses antes de Pearl, e que passa no ano de 1979, já com a protagonista em idade avançada. O filme termina com uma cena que lembra bastante, talvez até seja uma homenagem, provavelmente ao personagem principal do filme “O Homem que Ri”, de 1928, ainda que muita gente possa pensar que seja uma “coringada”, alusão bem definida do supervilão da DC Comics, muito mais popular no universo cinematográfico. De qualquer forma, relevo essa escorregada, já que estamos falando de uma história ambientada em 1918, tempo em que nenhum dos personagens havia sido criado. Mas entendo e estou de acordo com essa “licença poética”.

O monólogo final em que Pearl se coloca hipoteticamente diante do marido, mas que na verdade discursa o que sente e os atos cometidos para a sua cunhada (Misty, interpretada pela Emma Jenkins-Purro), é de uma atuação marcante (sem interrupções), colocou à prova o resultado de uma mente dominada por uma força inexplicável, concatenando ações com justificativas plausíveis sob sua perspectiva, tudo para ser absolvida antes mesmo de ser descoberta. Cena impactante que foi se desenrolando igual a um novelo, com gradações que foram escurecendo, se distanciando aos poucos do senso de realidade, tudo sendo conduzindo meticulosamente a uma parede intransponível. Mas não para ela, é claro! O filme é um prato cheio para psicanalistas e psicólogos, pois a história se concentra na construção de personagens perturbados por questões existenciais (e também genéticos) que desafiava os conceitos sociais e a literatura médica, sob o escopo vigente da época.

O filme “Pearl” está disponível no serviço de streaming Prime Video e tem a classificação indicativa não recomendável para menores de 16 anos.

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Dados técnicos:

Nome original do filme: Pearl.

Direção: Ti West.

Roteiro: Ti West e Mia Goth.

Duração: 102 minutos (com abertura e créditos finais).

Procedência: Estados Unidos e Canadá.

Ano de lançamento: 2022.

Disponível: Prime Video.