quarta-feira, 14 de abril de 2021

Swedish Erotica, que banda é essa?

Olá amigos, escrever sobre música tem se tornado um ofício muito prazeroso para mim, pois gosto de descobrir bandas de rock e mais que apreciar os novos achados, dividir com vocês só aumenta a minha responsabilidade em realizar de pesquisas objetivas com o intuito de trazer conteúdo de alta qualidade e assim continuar nessa auspiciosa missão de difundir o bom rock n’ roll clássico como também suas vertentes. O maior desafio que tenho encontrado é apresentar bandas pouco conhecidas no radar brasileiro, principalmente aquelas que tiveram um curto período de atividade.

A banda Swedish Erotica entrou no meu caminho há pouco tempo, mas cativou os meus sentidos para música desde o início, com acordes “farofentos”, que para mim não passa de um termo insípido para se referir a trechos ritmados e que revelam interessante sintonia do arranjo da banda de modo geral. Em outras palavras, são músicas com boas chances de serem bem-vindas nas rádios sem um filtro tão exigente de elementos que comprovem verdadeiramente sua qualidade. Bem, esse grupo sueco foi formado em 1985 e permaneceu ativo até 1996. Falarei sobre o álbum que leva o mesmo nome da banda, lançado em 1989, pela gravadora britânica Virgin Records.

A abertura do disco fica por conta da poderosa “Rock N’ Roll City” (Cidade do Rock N’ Roll”), que tem uma introdução bem oitentista e já cita na primeira estrofe nada menos que Keith Moon, ex-baterista da banda The Who, que faleceu em 1978. Outras estrelas do rock são mencionadas ao longo da música, como John Lennon, Buddy Holly, Jim Morrison, Jimi Hendrix entre outros. Mas tudo não passou de um sonho do nosso protagonista que dormiu no volante. As guitarras estão ótimas nesse som e o vocal é intensamente agradável.

A faixa intitulada “We're Wild Young and Free” (Nós Somos Loucos, Jovens e Livres) é como um grito de liberdade, onde jovens clamam por novos tempos, enfatizando que as ditaduras fazem parte do passado, com uma bela citação ao ator James Dean (1931-1955), famoso pelo filme “Rebel Without a Cause” (Juventude Transviada), de 1955, onde interpreta o problemático Jim Stark. Destaco o ótimo trabalho de vocais de fundo, um coro muito bem delineado, para mim o trecho mais grudento de todo o álbum.

Em “Hollywood Dreams” (Sonhos de Hollywood) os acordes de violão são precedidos do silêncio e uma pesada respiração que protagonizam e deixam as guitarras em segundo plano, sinto muito, mas dessa vez nem a bateria conseguiu fazer frente. A banda novamente lança mão de coros bem executados para “You might get nighmares livin’ out all your Hollywood dreams” (Você pode obter pesadelos vivendo todos os seus sonhos de Hollywood). A letra faz referências para quem anseia debutar e se estabelecer num dos epicentros mais importantes do cinema mundial, sugerindo atenção para eventuais miragens.

Em “Downtown” (Centro da Cidade) até Bon Jovi faz parte da festa, a música tem nos seus quase quatro minutos muito alto-astral e espaço zero para gente desanimada. A contagem regressiva inicial é somente para preparar o grito entalado na garganta de “Party all night, rockin’ all night” (Festa a noite toda, rock a noite toda). O trabalho instrumental é muito equilibrado, mas destaco os vocais, algo neles faz a música não sentir o peso dos mais de trinta anos desde o lançamento, como se não envelhecesse.

Capa do álbum de estreia

O disco conta com um total de 12 faixas, sendo a última uma versão acústica de “Hollywood Dreams”. Eu não tenho (ainda) a versão física, mas pretendo adquirir em breve, e quando isso acontecer trarei fotos para vocês. Por enquanto, apresento algumas imagens obtidas na internet. Antes que me perguntem eu já antecipo a responder que “sim”, eles são uma banda que logo de cara é possível notar o “cheiro” comercial, não à toa muitas menções a artistas consagrados são feitas em várias músicas. Entretanto, não vejo mal algum nisso, desde que a produção seja honesta e eficiente para quem aprecia um bom trabalho.

Outro ponto que faço questão de observar é com relação ao nome da banda. Infelizmente “Swedish Erotica” é um nome bem genérico e quando realizei pesquisa para conhecer o trabalho deles, muitas referências eróticas surgiram na primeira página de pesquisa. O primeiro nome da banda, lá nos idos de 1985 era “Swedish Beauty” (Beleza Sueca), mas não durou muito e “Erotica Sueca” (tradução livre) acabou sendo a ideia que permaneceu e repercutiu por todo o trabalho conhecido até o presente momento. Fica aqui o meu alerta para evitar que o garimpo dessa banda seja realizado ao alcance de crianças e mesmo a menores de idade (adolescentes), grande parte do resultado das pesquisas feitas com as palavras-chave Swedish+Erotica é expressamente inapropriado.

Da esquerda para a direita: Morgan Le Fay, Magnus Axx, B.C. Strike, Matt S. Levén e Johnny D' Fox (deitado)

Integrantes:

Matt S. Levén - vocais principais, vocais de fundo, teclados
Magnus Axx - solo, ritmo e guitarras acústicas, vocais de fundo
Morgan Le Fay - solo, ritmo e guitarras acústicas, vocais de fundo
Johnny D' Fox - baixo, vocais de fundo
B.C. Strike - bateria, vocais de fundo

Faixas:

1. ROCK’ N’ ROLL CITY

2. LOVE ON THE LINE

3. WE’RE WILD, YOUNG AND FREE

4. HOLLYWOOD DREAMS

5. LOVE HUNGER

6. LOVE ME OR LEAVE ME

7. DOWNTOWN

8. SHE DRIVES ME CRAZY

9. LOADED GUN

10. RIP IT OFF

11. BREAK THE WALLS

12. HOLLYWOOD DREAMS (versão acústica)

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Bom pessoal, vou ficando por aqui, espero que tenham despertado interesse em conhecer o trabalho da Swedish Erotica e que as músicas deles causem em vocês o mesmo prazer que me proporcionou ao escutá-los. Voltarei em breve comentando sobre outra banda, sempre pincelando minhas impressões e dividindo com vocês.

Minhas fontes de pesquisa: páginas da web Wikipedia (para conhecer um pouco sobre a história da banda) e Metal Music Archives (nomes dos integrantes). O restante escrito no texto acima foram desenvolvidos pela minha pequena e essencial massa cinzenta – risos. 

domingo, 14 de março de 2021

Conversa sobre música e passado

Aqui estou novamente para conversar sobre rock, pensei em vários assuntos, mas só espero mesmo que as linhas a seguir sejam bem aproveitadas. O momento mundial não permite uma “conversa de bar”, talvez a ideia de um quarto ou uma sala para, individualmente, a prosa ser desenvolvida de maneira virtual com outras pessoas (felizmente a tecnologia permite certas adequações). Bom, quando eu chegar ao final dessa tentativa de reunir algumas ideias sobre música, talvez eu reveja a direção do farol desta postagem. Só para pontuar o que escrevi acima, dificilmente vou a bares só para conversar, o som ao vivo da noite é que me estimula a sair ou não de casa.

Dusty Springfield e Paul MacCartney, em 1964

Estou escrevendo este texto direto do conforto do meu quarto e com mais ninguém senão o meu espírito inquieto sendo brindado pela garrafa de “Casillero del Diablo” que acabei de tomar nesta bela tarde de terça-feira (dia 09 de março de 2021). É fácil e muito prazeroso falar de AC/DC, KISS, The Rolling Stones e Aerosmith ou qualquer outro espectro com qualidade de som e imagem que possa captar a atenção de modo a mudar ou envolver os rumos da intenção musical de alguém. Bandas que surgiram entre os anos de 60 ou 70 e até hoje seguem firmes como alicerces inquebrantáveis de qualquer boa discografia particular.

O meu desafio é mais ousado, peço que você continue se deleitando dessas ótimas bandas de rock aclamadas pelo tempo do século passado e que transita tranquilamente por nossos dias presentes. Penso ser oportuno que o seu leque seja um pouco mais aberto a bandas menos “conhecidas” e que merecem ser descobertas, lembradas ou revividas. É o caso, por exemplo, dos norte-americanos “Mark Farner & Don Brewer”, com o álbum Monumental Funk, de 1974 ou os canadenses do “Spring Fever”, com o disco Woodstock, de 1970. Menciono também a banda “Poobah”, também dos Estados Unidos, debutando com o álbum Let Me In, de 1972.

Alguns dias se passaram antes da minha retomada por aqui (estamos no dia 13 de março de 2021), só espero que sua atenção comigo siga mais um pouquinho adiante. Conheci há pouco tempo a encantadora Dusty Springfield, com o pop soul envolvente do disco See All Her Faces, de 1972. Pode parecer proposital, e de certa forma acabou por ser essa a intenção, mas para cada grande e consagrada banda que eu citei neste texto, trouxe à luz outras descobertas “arqueológicas” que considero valiosas e imprescindíveis para qualquer apreciador de boa música.

Entendo e aceito sem qualquer objeção que existem muitos programas que facilitam a vida das pessoas com listas automáticas, aleatórias ou criadas com poucos cliques, mas é importante que você não perca a curiosidade em vasculhar e assim descobrir coisas que estão lá para serem encontradas e que se ninguém for atrás, elas continuarão cada vez mais distantes, estando palpáveis somente para um pequeno contingente de audaciosos. Em outras palavras, saia momentaneamente da sua zona de conforto para depois retornar com novidades e assim ser uma pessoa cada vez mais interessante, com recursos e possibilidades.

Ainda sobre o álbum See All Her Faces, sugiro a belíssima “Yesterday When I Was Young”, traduzida e adaptada na versão em inglês por Herbert Kretzmer do original francês “Hier Encore”, de 1964, que foi escrita e interpretada originalmente por Charles Aznavour (1924-2018), emprestada na linda voz de Dusty Springfield, que traz um arranjo instrumental dirigido pela orquestra do renomado Peter Knight (1917-1985). Em 1972 ainda não existia o CD, essa versão foi relançada nesse formato em 2002, porém, é extremamente difícil de encontrar, as poucas unidades que localizei (usadas) são oriundas do site Discogs e com valores que superam os duzentos reais.

Bom, a conversa não se esgota aqui, porém eu preciso terminar o texto – risos. Voltarei em breve, sem avisar, para trazer mais tesouros perdidos do universo da música. Quem nunca se imaginou vestindo o espírito inquieto de um “Indiana Jones” e se aventurando à caça de trabalhos musicais ou de outra ordem cultural que foram feitos com muito amor e profissionalismo, considerando os meios disponíveis da época em que foram idealizados e que são capazes de atravessar gerações sem perder o brilho e eternizar momentos?

Obs.: estou satisfeito pela direção que as linhas acima tomaram, portanto, não farei alterações no farol que norteou as minhas considerações aqui afirmadas e sugeridas.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Minha relação com os anos 70

A minha ignorância foi intensamente invadida pelas diversas coisas que eu descobri nas últimas semanas. Estou falando de música, sim, música que traz a tal paz interior dos seres que se refugiam nela. Quanto mais eu uso a minha pequena enxada, mais “minhocas” saem da terra. Não sou especialista em música, não sei diferenciar com precisão cirúrgica as guitarras, os teclados e outros instrumentos que as bandas utilizam para produzir esse ou aquele tipo de som, em contrapartida, consigo sentir e por mais que eu tente, não consigo traduzir a avalanche de sentimentos que a música causa no meu íntimo. Como explicar a alguém o que eu sinto quando o acorde de uma guitarra provoca um disparo em meu coração? Qual a chance de você compreender o arrepio que o alcance vocal de um determinado intérprete proporciona em mim? A música tem seus mistérios, quando uma banda lança um novo álbum, nem todos vão gostar, haverá gente inclinada a criticar para atrair mais leitores, é como se o roteiro já tivesse sido escrito antes mesmo do material ser lançado. Juro que estou acostumado com isso, música para mim é um prazer e não um meio para subsidiar meu passaporte na sociedade.


Hoje escutei um álbum chamado “Wild Child” (Criança Selvagem), lançado em 1973, de uma banda dinamarquesa dos anos 60. A banda se chama “The Savage Rose” (A Rosa Selvagem). O que me assusta é não saber ao certo se sou ou estou por demais ignorante com o impacto que um material produzido em 1973 me causou ou se perdi tempo demais na minha curta existência a partir de 1984 para descobrir a existência de pessoas que formaram uma banda com ideias à frente de seu tempo. A minha incredulidade é momentânea, pois a medida que minha curiosidade se torna irritante, vou percebendo minha incúria mental por coisas que sempre estiveram ali, mas que por qualquer razão superficial eu não fui capaz de identificar. É como um livro para colorir, se ninguém for lá e dar vida para aquelas figuras, independente do traçado, o inanimado jamais ganhará vida. Estou apenas na “ponta do iceberg”, não tenho ideia do que ainda está por vir.


O que escrevo aqui são pensamentos que volta e meia respiram silenciados nos campos do meu subconsciente, reflexões que ousei registrar por escrito devido ao transbordamento inesperado de descobertas que surgiu diante de mim. Já ouviram falar em Carmen Maki? Uma cantora japonesa de voz poderosíssima que deixou os anos 70 marcados para sempre com a imensa contribuição das bandas Blues Creation e Oz. Devo arriscar a perguntar sobre a banda norte-americana Bloody Mary? Engraçado, para não dizer inquietante, o fato de mal sabermos com conhecimento de causa o número de bandas que debutaram ou mesmo as já consagradas que lançaram material no último ano, que dirá possuirmos a destreza de tentar encontrar respostas para o que se passou na década de setenta dentro do universo do rock, blues, hard rock, metal, rock progressivo e tantas outras linhas de músicas bem trabalhadas.

Citei algumas bandas só para começar, o meu blog será uma opção de entrada para registrar e dividir o universo que estou descobrindo. Uma espécie de bloco de notas onde farei alguns rascunhos. Quero deixar claro que não desdenho de um futuro promissor, mas é interessante poder andar para frente sem deixar que o passado se afaste. O passado não é um livro totalmente aberto como muitos pensam, ainda existem enigmas para serem decifrados, as músicas são bons exemplos disso. Por que muita gente argumenta que não se faz músicas como antigamente? Difícil de responder, as teorias são muitas! No momento em que encerro este modesto artigo, me sirvo da ótima companhia do álbum “Playmates” (1977) dos britânicos do Small Faces.

Bom meus amigos, vou parando por aqui mas com a promessa de falar mais sobre as bandas que mencionei. A garrafa do bom vinho francês “Domaine de La Motte” já está no fim e a minha intenção é findá-la com a mesma leveza do som que toca a minha alma.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Minha opinião sobre o Power Up!

Quando fiquei sabendo que o AC/DC lançaria um novo álbum, ondas de ansiedade e expectativa tomaram conta dos meus pensamentos. Podem entender como picos de alta voltagem (alguns entenderão – risos). Comecei a acompanhar a banda tardiamente, devia ser 2015 ou 2016, no alto dos meus 30 anos de idade, não me lembro ao certo. De qualquer forma, não penso que gostar de AC/DC tenha muito a ver com idade, fato é que me considero um privilegiado ter pleno acesso ao trabalho deles e viajar diante da maravilhosa discografia da banda. E assim surgiu o Power Up, representando o décimo sétimo álbum de estúdio dos caras e lançado mundialmente no dia 13 de novembro de 2020.


A notícia desagradável foi saber que não haveria lançamento da mídia física no Brasil. A negativa pela edição nacional tem uma explicação simples: a Sony Music iniciou em 2020 um processo de encerramento das atividades no mercado fonográfico nos países da América Latina. Apesar disso, existem diversas formas de obter o disco, seja pela internet através dos sites gringos, pelo Mercado Livre do Brasil e outros portais online que realizam o serviço de importação. Enquanto escrevo sou contemplado com a audição do disco através de headphones. Vale lembrar que a banda disponibilizou gratuitamente todas as músicas desse álbum no canal oficial do YouTube.

Estamos falando de uma banda que surgiu nos anos 70, portanto, é difícil exigir o mesmo vigor de artistas que já são setentões! Meu argumento também não serve de anteparo ou muleta para justificar e encobrir trabalhos ruins, que felizmente não é o caso do Power Up. Aqui temos uma homenagem ao guitarrista Malcolm Young, um dos integrantes originais da banda que faleceu em 2017. Na formação atual, a mais clássica possível temos: Angus Young nas guitarras, Brian Johnson de volta nos vocais após um período sombrio (era dado como carta fora do baralho em 2016 após ter recebido o diagnóstico de um problema auditivo considerado irreversível), Phil Rudd na bateria, isso após ter acertado pendências na justiça, Cliff Williams de volta no baixo (o próprio havia anunciado aposentadoria no final da turnê “Rock Or Bust”) e o Stevie Young na guitarra rítmica, ocupando lugar do tio falecido.

Feitas as devidas introduções, vamos falar sobre o disco, que para mim é nota 8 tranquilamente. Diferentemente dos comentários que eu vi por aí, o material produzido está longe de ser razoável, ao contrário, possui a mesma pegada característica que levou a banda a ser uma das melhores da história do rock. Confira abaixo as minhas impressões de cada música que integra o álbum Power Up:

1. Realize – faixa que abre o disco com o Brian Johnson soltando a voz logo de cara, com um ótimo trabalho na guitarra rítmica do Stevie Young, além dos vocais de apoio atuarem em diversos momentos. Phil Rudd mostra que está em ótima forma ao reassumir o seu lugar de direito. Já tá imaginando o Angus Young correndo de um lado para o outro com sua guitarra elétrica? Eu sim!

2. Rejection – a única música que supera os quatro minutos já começa com uma intimação seguida de um aviso nada amigável: “É melhor você me dar o que eu quero” “Ou eu vou bater em você”. Angus tem tempo suficiente para desenrolar seu solo, a bateria de Phil Rudd demonstra “respeito” e atua o tempo inteiro balizando o trabalho das guitarras, atingindo um resultado satisfatório. Som consistente, mas pressinto que será pouco executada ao vivo.

3. Shot In The Dark – primeiro single do álbum, lançado no dia 7 de outubro de 2020. Fez muito sucesso por várias razões, principalmente pela curiosidade planetária de conferir um material inédito da banda. Traduzindo ao pé da letra o título da faixa, não sei de onde veio esse “Tiro No Escuro”, mas que foi certeiro, isso não resta a menor dúvida. Temos aqui um Brian Johnson revigorado, nem parece que tem 73 anos de idade. Voz impecável.


4. Through the Mists of Time – uma das músicas que eu mais gosto no álbum, todos os instrumentos estão equilibrados e firmes, ainda mais com frases do tipo “Ouça o sussurro do redemoinho” ou “Tem cavalos negros no meu sono”, essa faixa poderia compor tranquilamente a trilha de algum filme. Nos segundos finais, já com o som sendo encerrado (sem prejuízo algum, só coisa de gente perfeccionista), percebi uns ruídos, inicialmente achei que fosse defeito na minha mídia, mas aí fui conferir no canal oficial da banda e lá também apresenta isso. Será proposital?

5. Kick You When You're Down – em vez de chutar, que é o que trata o título, eu achei que a música fosse explodir já nos primeiros acordes. Sinalizada pelos riffs de guitarra numa espécie de contagem com a tradicional bateria “seca”, me agradou essa entrada. O solo do Angus é curto, mas resgata uma energia oitentista nostálgica, de rock n’ roll sem frescura. Talvez a letra não faça muito sentido para nós, mas isso não é tão necessário quando o forte do Angus é fazer da guitarra um instrumento cortante e altamente perigoso para pessoas que tem dificuldade em assimilar o bom e velho rock.

6. Witch’s Spell – não entendi muito bem essa história de bruxas, mas deve fazer algum sentido para o imaginário criativo do Angus. O tempo que o Brian Johson ficou ausente da banda fez bem não só para a recuperação do seu problema auditivo, mas para as suas cordas vocais! A potência da sua voz se fez presente durante a faixa inteira, não deixou nenhum instrumento sobrepor. Stevie e Angus harmonizaram muito bem suas guitarras. Phil Rudd seguiu a “receita pronta”, só acompanhou com sua bateria e o resultado ficou “mais do mesmo”, ou seja, do jeito que os fãs gostam!


7. Demon Fire – o rock do AC/DC dos velhos tempos revive nessa faixa literalmente flamejante. Me fez lembrar “Whole Lotta Rosie” (inaugurada na fase ‘Bon Scott’), com Brian Johson mandando ver num vocal “endemoniado” e ao mesmo tempo cativante. Para mim a faixa mais acelerada e que me trouxe lembranças de qualquer coisa que a banda fez entre o fim da década de 70 e primeiros anos da década de 80. Essa música tem de tudo, solo de guitarra envolvente, vocais de apoio e bateria pesada praticamente ininterrupta que segura a faixa do início ao fim. Eu precisei apenas dos vinte segundos iniciais para me amarrar nesse som!

8. Wild Reputation – provar inocência numa cidade pequena é o tema dessa faixa. Refrão pegajoso (afinal, não é isso que as rádios gostam?), com um solo de guitarra bem alto e prazeroso para deleitar. Temos a guitarra rítmica num tempo ligeiramente atrás e meio que imitando o Angus, até o nosso guitarrista com rodinha nos pés saltar para algo novo e deixar a base de apoio de lado. A bateria é secundária e bem cadenciada, quase não prestei atenção nela, a faixa é a mais curtinha do disco, com menos de três minutos. Vai pegar todo mundo de surpresa se ela for encaixada num eventual BIS dentro de um show da banda.

9. No Man’s Land – os vocais de apoio repetiram a frase “Terra de Ninguém” durante a música inteira. E a história de explorar um território aparentemente desconhecido a partir de uma viagem de trem sugere muitas descobertas (ou será tudo um sonho?). De fato, ninguém assumiu o protagonismo nessa faixa. Vislumbrei o Brian Johnson tentando progredir a um ritmo mais intenso, porém a melodia não concedeu essa permissão, o Angus mostrou-se mais comedido e determinado a seguir por igual com os demais instrumentos.


10. Systems Down – mais uma faixa potente, não tinha como ser diferente para abordar altas temperaturas, chamas e explosões. “Sistemas Falidos” é um som pesado, bem que essa faixa podia ter mais de quatro minutos, para que as guitarras pudessem ter mais tempo de execução. Gostei dessa pegada, mas não quero ficar com a impressão de que todas as músicas têm que apresentar vocais de apoio, principalmente se forem num tom mais alto que a voz principal. Phil Rudd tem uma maneira de conduzir sua “cozinha” que me deixa completamente satisfeito. Ele não precisa protagonizar nada, o que ele faz é tão importante quanto os limões para uma limonada.

11. Money Shot – uma faixa que começa com a frase “Sentindo o clima do rock n’ roll” não tem como dar errado. Esqueça o restante da letra, não por ser ruim, segue o padrão regular do rock. O importante aqui são as guitarras, elas me fizeram fechar os olhos e simplesmente saborear os prazeres da ótima execução. Baita som gostoso de curtir, contagioso e que mostra um AC/DC distante do fim. Engraçado que muita gente fez a leitura de que o material do “Power Up” consiste em sobras de outros trabalhos da banda, acho muito leviano darem essa narrativa. O material produzido não foi engavetado por ser inferior, interpreto que a banda deu prioridade a outras faixas que produziam mais sentido para eles na época.

12. Code Red – gostei dessa faixa pela complexidade de tudo nela, letra, execução intervalada da bateria, guitarra pesada e sem a necessidade de ser acelerada. Na minha opinião não é uma música fácil para show, estou curioso para ver como soará ao vivo. A voz do Brian Johnson está intensa e provocativa, ele transmite segurança para o time, sabe exatamente como atingir notas altas nos momentos certos. Imagino que se depender do Angus e sua guitarra a música ficará mais longa em, pelo menos, uns bons dois minutos ou mais durante os shows.


Não pensem que me esqueci do grande baixista Cliff Williams, sua presença é onipresente em todas as músicas, mas não tem nenhum momento específico em que ele ficou no comando das ações no primeiro plano sonoro. Não é porque o baixo não saltou aos ouvidos que a atuação dele foi menos importante. Conforme informações recentes, ele deixou claro que fará parte da turnê de divulgação do novo álbum, marcando presença em shows pontuais, que devido a problemas de saúde, infelizmente não conseguirá manter-se na estrada por longos períodos.

Em última análise, para quem nunca escutou AC/DC na vida (quase impossível encontrar alguém nessa condição, certo?) o álbum Power Up é um ótimo trabalho de rock n’ roll que aquecerá o espírito roqueiro desse indivíduo. Já para quem acompanha há banda desde os primórdios, é um trabalho digno da rica discografia da banda e que ganha um peso diferenciado por se tratar de um tributo ao Malcolm Young, uma das pessoas que tornou tudo isso possível lá nos anos 70.

domingo, 18 de outubro de 2020

Afinal, que banda é essa chamada Europe?

Quando comecei a escutar música, no final do século passado, fui influenciado por amigos próximos a conhecer duas bandas já consagradas: Guns N’ Roses e Bon Jovi. De certa forma esse é um caminho natural, são raros os casos em que alguém começa por bandas desconhecidas. A partir daí uma verdadeira revolução aconteceu em minha vida, um universo de descobertas surgiu diante de mim. Em outro momento, contarei mais sobre os meus primeiros passos dentro da música. Hoje vou falar sobre uma banda de rock melódico pouco explorada no Brasil, mas que tem uma trajetória consolidada e tremendamente bem-sucedida: Europe.

Apenas pincelando um pouco de história, o Europe, para quem não sabe é uma banda nascida na Suécia, começou a ser rascunhado na década de 70, quando o guitarrista John Norum, que tinha uma banda chamada “WC” convidou Joey Tempest, da banda “Roxanne”, a integrar seu time. O convite foi aceito e a banda “WC” mudou de nome, passando a ser “Force”. Esse nome durou pouco, já que em 1982, a banda foi inscrita para um campeonato sueco de rock sob o nome de Europe. Os caras venceram o campeonato e o prêmio consistia na gravação de um álbum de estúdio. Em 1983 a banda lançou o seu primeiro álbum, de mesmo nome, que fez muito sucesso na Suécia e, pasmem, no Japão!

Trouxe para vocês o álbum “Wings of Tomorrow” (Asas do Amanhã), lançado no dia 24 de fevereiro de 1984. A banda teve influência de verdadeiras entidades sagradas do rock, como Nazareht, Elvis Presley, Thin Lizzy, UFO, Deep Purple entre outros. Só aí já é possível perceber que os caras estavam num caminho muito promissor, com referências musicais inquestionáveis. Esse foi o segundo álbum do Europe, que serviu para ratificar o sucesso obtido na estreia, no ano anterior, trazendo mais hits poderosos para o seu repertório. Vou destacar as músicas que mais mexeram comigo.

A faixa “Stormwind” (Vento Tempestuoso) abre o disco e já entra no cérebro como alguém que bate com o pé na porta para abri-la. Frases como “I have so much left to remember” / I have so much left to forget” (Eu tenho tantas coisas para lembrar / Eu tenho tantas coisas para esquecer), cantadas com vigor pelo Joey Tempest, mostra que eles não estão para brincadeira. O disco parece um celeiro de hits, pois a faixa seguinte é nada mais nada menos que “Scream of Anger” (Grito de Raiva), tocada com intensidade do início ao fim. A intensidade baixa para escutarmos com calma os acordes de “Open Your Heart” (Abra Seu Coração). Um hino que não envelhece.

Num disco de dez faixas, eles ainda se dão ao luxo de incluir uma totalmente instrumental, como é o caso de “Aphasia”, que mesmo sendo curtinha, a banda mostra todo o seu entrosamento, com guitarras seguras e uma inquieta bateria que não deixa ser esquecida em momento algum. “Dreamer” (Sonhador) fala sobre dor, anos de luta e solidão, me parece um conflito interior, mas não consigo pensar muito na letra quando temos John Norum me levando junto com sua guitarra numa viagem hipnotizante. Sou trazido de volta à realidade quando a faixa “Dance The Night Way” começa a tocar, vibrante, com energia e bem definido quando escuto “And my heart will never get cold” (E meu coração nunca vai fica frio). Sim, essa foi a última faixa do disco.

Formação da banda que gravou o álbum “Wings of Tomorrow”:

Joey Tempest (vocal, guitarra e teclado)

John Norum (guitarra solo)

John Levén (baixo)

Tony Reno (bateria)

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Músicas:

1. Stormwind – 4:33

2. Scream Of Anger – 4:07

3. Open Your Heart – 4:11

4. Treated Bad Again – 3:47

5. Aphasia – 2:33

6. Wings Of Tomorrow – 4:00

7. Wasted Time – 4:10

8. Lyin’ Eyes – 3:48

9. Dreamer – 4:29

10. Dance The Night Away – 3:37

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Fontes da minha pesquisa:

Tradução do encarte escrita por Bill Leslie, parte da edição lançada em 2010 e algumas referências no Wikipedia.