sábado, 20 de fevereiro de 2021

Minha relação com os anos 70

A minha ignorância foi intensamente invadida pelas diversas coisas que eu descobri nas últimas semanas. Estou falando de música, sim, música que traz a tal paz interior dos seres que se refugiam nela. Quanto mais eu uso a minha pequena enxada, mais “minhocas” saem da terra. Não sou especialista em música, não sei diferenciar com precisão cirúrgica as guitarras, os teclados e outros instrumentos que as bandas utilizam para produzir esse ou aquele tipo de som, em contrapartida, consigo sentir e por mais que eu tente, não consigo traduzir a avalanche de sentimentos que a música causa no meu íntimo. Como explicar a alguém o que eu sinto quando o acorde de uma guitarra provoca um disparo em meu coração? Qual a chance de você compreender o arrepio que o alcance vocal de um determinado intérprete proporciona em mim? A música tem seus mistérios, quando uma banda lança um novo álbum, nem todos vão gostar, haverá gente inclinada a criticar para atrair mais leitores, é como se o roteiro já tivesse sido escrito antes mesmo do material ser lançado. Juro que estou acostumado com isso, música para mim é um prazer e não um meio para subsidiar meu passaporte na sociedade.


Hoje escutei um álbum chamado “Wild Child” (Criança Selvagem), lançado em 1973, de uma banda dinamarquesa dos anos 60. A banda se chama “The Savage Rose” (A Rosa Selvagem). O que me assusta é não saber ao certo se sou ou estou por demais ignorante com o impacto que um material produzido em 1973 me causou ou se perdi tempo demais na minha curta existência a partir de 1984 para descobrir a existência de pessoas que formaram uma banda com ideias à frente de seu tempo. A minha incredulidade é momentânea, pois a medida que minha curiosidade se torna irritante, vou percebendo minha incúria mental por coisas que sempre estiveram ali, mas que por qualquer razão superficial eu não fui capaz de identificar. É como um livro para colorir, se ninguém for lá e dar vida para aquelas figuras, independente do traçado, o inanimado jamais ganhará vida. Estou apenas na “ponta do iceberg”, não tenho ideia do que ainda está por vir.


O que escrevo aqui são pensamentos que volta e meia respiram silenciados nos campos do meu subconsciente, reflexões que ousei registrar por escrito devido ao transbordamento inesperado de descobertas que surgiu diante de mim. Já ouviram falar em Carmen Maki? Uma cantora japonesa de voz poderosíssima que deixou os anos 70 marcados para sempre com a imensa contribuição das bandas Blues Creation e Oz. Devo arriscar a perguntar sobre a banda norte-americana Bloody Mary? Engraçado, para não dizer inquietante, o fato de mal sabermos com conhecimento de causa o número de bandas que debutaram ou mesmo as já consagradas que lançaram material no último ano, que dirá possuirmos a destreza de tentar encontrar respostas para o que se passou na década de setenta dentro do universo do rock, blues, hard rock, metal, rock progressivo e tantas outras linhas de músicas bem trabalhadas.

Citei algumas bandas só para começar, o meu blog será uma opção de entrada para registrar e dividir o universo que estou descobrindo. Uma espécie de bloco de notas onde farei alguns rascunhos. Quero deixar claro que não desdenho de um futuro promissor, mas é interessante poder andar para frente sem deixar que o passado se afaste. O passado não é um livro totalmente aberto como muitos pensam, ainda existem enigmas para serem decifrados, as músicas são bons exemplos disso. Por que muita gente argumenta que não se faz músicas como antigamente? Difícil de responder, as teorias são muitas! No momento em que encerro este modesto artigo, me sirvo da ótima companhia do álbum “Playmates” (1977) dos britânicos do Small Faces.

Bom meus amigos, vou parando por aqui mas com a promessa de falar mais sobre as bandas que mencionei. A garrafa do bom vinho francês “Domaine de La Motte” já está no fim e a minha intenção é findá-la com a mesma leveza do som que toca a minha alma.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Minha opinião sobre o Power Up!

Quando fiquei sabendo que o AC/DC lançaria um novo álbum, ondas de ansiedade e expectativa tomaram conta dos meus pensamentos. Podem entender como picos de alta voltagem (alguns entenderão – risos). Comecei a acompanhar a banda tardiamente, devia ser 2015 ou 2016, no alto dos meus 30 anos de idade, não me lembro ao certo. De qualquer forma, não penso que gostar de AC/DC tenha muito a ver com idade, fato é que me considero um privilegiado ter pleno acesso ao trabalho deles e viajar diante da maravilhosa discografia da banda. E assim surgiu o Power Up, representando o décimo sétimo álbum de estúdio dos caras e lançado mundialmente no dia 13 de novembro de 2020.


A notícia desagradável foi saber que não haveria lançamento da mídia física no Brasil. A negativa pela edição nacional tem uma explicação simples: a Sony Music iniciou em 2020 um processo de encerramento das atividades no mercado fonográfico nos países da América Latina. Apesar disso, existem diversas formas de obter o disco, seja pela internet através dos sites gringos, pelo Mercado Livre do Brasil e outros portais online que realizam o serviço de importação. Enquanto escrevo sou contemplado com a audição do disco através de headphones. Vale lembrar que a banda disponibilizou gratuitamente todas as músicas desse álbum no canal oficial do YouTube.

Estamos falando de uma banda que surgiu nos anos 70, portanto, é difícil exigir o mesmo vigor de artistas que já são setentões! Meu argumento também não serve de anteparo ou muleta para justificar e encobrir trabalhos ruins, que felizmente não é o caso do Power Up. Aqui temos uma homenagem ao guitarrista Malcolm Young, um dos integrantes originais da banda que faleceu em 2017. Na formação atual, a mais clássica possível temos: Angus Young nas guitarras, Brian Johnson de volta nos vocais após um período sombrio (era dado como carta fora do baralho em 2016 após ter recebido o diagnóstico de um problema auditivo considerado irreversível), Phil Rudd na bateria, isso após ter acertado pendências na justiça, Cliff Williams de volta no baixo (o próprio havia anunciado aposentadoria no final da turnê “Rock Or Bust”) e o Stevie Young na guitarra rítmica, ocupando lugar do tio falecido.

Feitas as devidas introduções, vamos falar sobre o disco, que para mim é nota 8 tranquilamente. Diferentemente dos comentários que eu vi por aí, o material produzido está longe de ser razoável, ao contrário, possui a mesma pegada característica que levou a banda a ser uma das melhores da história do rock. Confira abaixo as minhas impressões de cada música que integra o álbum Power Up:

1. Realize – faixa que abre o disco com o Brian Johnson soltando a voz logo de cara, com um ótimo trabalho na guitarra rítmica do Stevie Young, além dos vocais de apoio atuarem em diversos momentos. Phil Rudd mostra que está em ótima forma ao reassumir o seu lugar de direito. Já tá imaginando o Angus Young correndo de um lado para o outro com sua guitarra elétrica? Eu sim!

2. Rejection – a única música que supera os quatro minutos já começa com uma intimação seguida de um aviso nada amigável: “É melhor você me dar o que eu quero” “Ou eu vou bater em você”. Angus tem tempo suficiente para desenrolar seu solo, a bateria de Phil Rudd demonstra “respeito” e atua o tempo inteiro balizando o trabalho das guitarras, atingindo um resultado satisfatório. Som consistente, mas pressinto que será pouco executada ao vivo.

3. Shot In The Dark – primeiro single do álbum, lançado no dia 7 de outubro de 2020. Fez muito sucesso por várias razões, principalmente pela curiosidade planetária de conferir um material inédito da banda. Traduzindo ao pé da letra o título da faixa, não sei de onde veio esse “Tiro No Escuro”, mas que foi certeiro, isso não resta a menor dúvida. Temos aqui um Brian Johnson revigorado, nem parece que tem 73 anos de idade. Voz impecável.


4. Through the Mists of Time – uma das músicas que eu mais gosto no álbum, todos os instrumentos estão equilibrados e firmes, ainda mais com frases do tipo “Ouça o sussurro do redemoinho” ou “Tem cavalos negros no meu sono”, essa faixa poderia compor tranquilamente a trilha de algum filme. Nos segundos finais, já com o som sendo encerrado (sem prejuízo algum, só coisa de gente perfeccionista), percebi uns ruídos, inicialmente achei que fosse defeito na minha mídia, mas aí fui conferir no canal oficial da banda e lá também apresenta isso. Será proposital?

5. Kick You When You're Down – em vez de chutar, que é o que trata o título, eu achei que a música fosse explodir já nos primeiros acordes. Sinalizada pelos riffs de guitarra numa espécie de contagem com a tradicional bateria “seca”, me agradou essa entrada. O solo do Angus é curto, mas resgata uma energia oitentista nostálgica, de rock n’ roll sem frescura. Talvez a letra não faça muito sentido para nós, mas isso não é tão necessário quando o forte do Angus é fazer da guitarra um instrumento cortante e altamente perigoso para pessoas que tem dificuldade em assimilar o bom e velho rock.

6. Witch’s Spell – não entendi muito bem essa história de bruxas, mas deve fazer algum sentido para o imaginário criativo do Angus. O tempo que o Brian Johson ficou ausente da banda fez bem não só para a recuperação do seu problema auditivo, mas para as suas cordas vocais! A potência da sua voz se fez presente durante a faixa inteira, não deixou nenhum instrumento sobrepor. Stevie e Angus harmonizaram muito bem suas guitarras. Phil Rudd seguiu a “receita pronta”, só acompanhou com sua bateria e o resultado ficou “mais do mesmo”, ou seja, do jeito que os fãs gostam!


7. Demon Fire – o rock do AC/DC dos velhos tempos revive nessa faixa literalmente flamejante. Me fez lembrar “Whole Lotta Rosie” (inaugurada na fase ‘Bon Scott’), com Brian Johson mandando ver num vocal “endemoniado” e ao mesmo tempo cativante. Para mim a faixa mais acelerada e que me trouxe lembranças de qualquer coisa que a banda fez entre o fim da década de 70 e primeiros anos da década de 80. Essa música tem de tudo, solo de guitarra envolvente, vocais de apoio e bateria pesada praticamente ininterrupta que segura a faixa do início ao fim. Eu precisei apenas dos vinte segundos iniciais para me amarrar nesse som!

8. Wild Reputation – provar inocência numa cidade pequena é o tema dessa faixa. Refrão pegajoso (afinal, não é isso que as rádios gostam?), com um solo de guitarra bem alto e prazeroso para deleitar. Temos a guitarra rítmica num tempo ligeiramente atrás e meio que imitando o Angus, até o nosso guitarrista com rodinha nos pés saltar para algo novo e deixar a base de apoio de lado. A bateria é secundária e bem cadenciada, quase não prestei atenção nela, a faixa é a mais curtinha do disco, com menos de três minutos. Vai pegar todo mundo de surpresa se ela for encaixada num eventual BIS dentro de um show da banda.

9. No Man’s Land – os vocais de apoio repetiram a frase “Terra de Ninguém” durante a música inteira. E a história de explorar um território aparentemente desconhecido a partir de uma viagem de trem sugere muitas descobertas (ou será tudo um sonho?). De fato, ninguém assumiu o protagonismo nessa faixa. Vislumbrei o Brian Johnson tentando progredir a um ritmo mais intenso, porém a melodia não concedeu essa permissão, o Angus mostrou-se mais comedido e determinado a seguir por igual com os demais instrumentos.


10. Systems Down – mais uma faixa potente, não tinha como ser diferente para abordar altas temperaturas, chamas e explosões. “Sistemas Falidos” é um som pesado, bem que essa faixa podia ter mais de quatro minutos, para que as guitarras pudessem ter mais tempo de execução. Gostei dessa pegada, mas não quero ficar com a impressão de que todas as músicas têm que apresentar vocais de apoio, principalmente se forem num tom mais alto que a voz principal. Phil Rudd tem uma maneira de conduzir sua “cozinha” que me deixa completamente satisfeito. Ele não precisa protagonizar nada, o que ele faz é tão importante quanto os limões para uma limonada.

11. Money Shot – uma faixa que começa com a frase “Sentindo o clima do rock n’ roll” não tem como dar errado. Esqueça o restante da letra, não por ser ruim, segue o padrão regular do rock. O importante aqui são as guitarras, elas me fizeram fechar os olhos e simplesmente saborear os prazeres da ótima execução. Baita som gostoso de curtir, contagioso e que mostra um AC/DC distante do fim. Engraçado que muita gente fez a leitura de que o material do “Power Up” consiste em sobras de outros trabalhos da banda, acho muito leviano darem essa narrativa. O material produzido não foi engavetado por ser inferior, interpreto que a banda deu prioridade a outras faixas que produziam mais sentido para eles na época.

12. Code Red – gostei dessa faixa pela complexidade de tudo nela, letra, execução intervalada da bateria, guitarra pesada e sem a necessidade de ser acelerada. Na minha opinião não é uma música fácil para show, estou curioso para ver como soará ao vivo. A voz do Brian Johnson está intensa e provocativa, ele transmite segurança para o time, sabe exatamente como atingir notas altas nos momentos certos. Imagino que se depender do Angus e sua guitarra a música ficará mais longa em, pelo menos, uns bons dois minutos ou mais durante os shows.


Não pensem que me esqueci do grande baixista Cliff Williams, sua presença é onipresente em todas as músicas, mas não tem nenhum momento específico em que ele ficou no comando das ações no primeiro plano sonoro. Não é porque o baixo não saltou aos ouvidos que a atuação dele foi menos importante. Conforme informações recentes, ele deixou claro que fará parte da turnê de divulgação do novo álbum, marcando presença em shows pontuais, que devido a problemas de saúde, infelizmente não conseguirá manter-se na estrada por longos períodos.

Em última análise, para quem nunca escutou AC/DC na vida (quase impossível encontrar alguém nessa condição, certo?) o álbum Power Up é um ótimo trabalho de rock n’ roll que aquecerá o espírito roqueiro desse indivíduo. Já para quem acompanha há banda desde os primórdios, é um trabalho digno da rica discografia da banda e que ganha um peso diferenciado por se tratar de um tributo ao Malcolm Young, uma das pessoas que tornou tudo isso possível lá nos anos 70.

domingo, 18 de outubro de 2020

Afinal, que banda é essa chamada Europe?

Quando comecei a escutar música, no final do século passado, fui influenciado por amigos próximos a conhecer duas bandas já consagradas: Guns N’ Roses e Bon Jovi. De certa forma esse é um caminho natural, são raros os casos em que alguém começa por bandas desconhecidas. A partir daí uma verdadeira revolução aconteceu em minha vida, um universo de descobertas surgiu diante de mim. Em outro momento, contarei mais sobre os meus primeiros passos dentro da música. Hoje vou falar sobre uma banda de rock melódico pouco explorada no Brasil, mas que tem uma trajetória consolidada e tremendamente bem-sucedida: Europe.

Apenas pincelando um pouco de história, o Europe, para quem não sabe é uma banda nascida na Suécia, começou a ser rascunhado na década de 70, quando o guitarrista John Norum, que tinha uma banda chamada “WC” convidou Joey Tempest, da banda “Roxanne”, a integrar seu time. O convite foi aceito e a banda “WC” mudou de nome, passando a ser “Force”. Esse nome durou pouco, já que em 1982, a banda foi inscrita para um campeonato sueco de rock sob o nome de Europe. Os caras venceram o campeonato e o prêmio consistia na gravação de um álbum de estúdio. Em 1983 a banda lançou o seu primeiro álbum, de mesmo nome, que fez muito sucesso na Suécia e, pasmem, no Japão!

Trouxe para vocês o álbum “Wings of Tomorrow” (Asas do Amanhã), lançado no dia 24 de fevereiro de 1984. A banda teve influência de verdadeiras entidades sagradas do rock, como Nazareht, Elvis Presley, Thin Lizzy, UFO, Deep Purple entre outros. Só aí já é possível perceber que os caras estavam num caminho muito promissor, com referências musicais inquestionáveis. Esse foi o segundo álbum do Europe, que serviu para ratificar o sucesso obtido na estreia, no ano anterior, trazendo mais hits poderosos para o seu repertório. Vou destacar as músicas que mais mexeram comigo.

A faixa “Stormwind” (Vento Tempestuoso) abre o disco e já entra no cérebro como alguém que bate com o pé na porta para abri-la. Frases como “I have so much left to remember” / I have so much left to forget” (Eu tenho tantas coisas para lembrar / Eu tenho tantas coisas para esquecer), cantadas com vigor pelo Joey Tempest, mostra que eles não estão para brincadeira. O disco parece um celeiro de hits, pois a faixa seguinte é nada mais nada menos que “Scream of Anger” (Grito de Raiva), tocada com intensidade do início ao fim. A intensidade baixa para escutarmos com calma os acordes de “Open Your Heart” (Abra Seu Coração). Um hino que não envelhece.

Num disco de dez faixas, eles ainda se dão ao luxo de incluir uma totalmente instrumental, como é o caso de “Aphasia”, que mesmo sendo curtinha, a banda mostra todo o seu entrosamento, com guitarras seguras e uma inquieta bateria que não deixa ser esquecida em momento algum. “Dreamer” (Sonhador) fala sobre dor, anos de luta e solidão, me parece um conflito interior, mas não consigo pensar muito na letra quando temos John Norum me levando junto com sua guitarra numa viagem hipnotizante. Sou trazido de volta à realidade quando a faixa “Dance The Night Way” começa a tocar, vibrante, com energia e bem definido quando escuto “And my heart will never get cold” (E meu coração nunca vai fica frio). Sim, essa foi a última faixa do disco.

Formação da banda que gravou o álbum “Wings of Tomorrow”:

Joey Tempest (vocal, guitarra e teclado)

John Norum (guitarra solo)

John Levén (baixo)

Tony Reno (bateria)

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Músicas:

1. Stormwind – 4:33

2. Scream Of Anger – 4:07

3. Open Your Heart – 4:11

4. Treated Bad Again – 3:47

5. Aphasia – 2:33

6. Wings Of Tomorrow – 4:00

7. Wasted Time – 4:10

8. Lyin’ Eyes – 3:48

9. Dreamer – 4:29

10. Dance The Night Away – 3:37

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Fontes da minha pesquisa:

Tradução do encarte escrita por Bill Leslie, parte da edição lançada em 2010 e algumas referências no Wikipedia.

domingo, 20 de setembro de 2020

Blow Up Your Video, o álbum do AC/DC em Alta Voltagem!

Certa vez escutei a frase que dizia algo como “...fazer parte do AC/DC é como ter o melhor emprego do mundo…”, musicalmente falando, devo concordar plenamente com essa colocação. O AC/DC é uma banda de rock n’ roll sem enrolação, com seu som reto, barulhento, guitarras raivosas e bateria ininterrupta. O vocal é um terremoto de palavras, sem melodias, só pancada, do início ao fim. Estou aqui para falar do álbum “Blow Up Your Video”, lançado no início de 1988. Para escrever esse texto, escutei o material do álbum duas vezes, uma com os fones de ouvido, outra estourando as caixas de som da minha casa. Também fiz a tradução da história contada no encarte do disco, que aliás foi a única fonte da minha pesquisa.

Sem enrolar, já digo de cara duas músicas que não saem da minha cabeça: That’s The Way I Wanna Rock N Roll e Two’s Up. Podem colocar no último volume que certamente terão uma experiência maravilhosa. Tudo que eu abordar nesta postagem faz parte do resultado da tradução do encarte do disco. “Blow Up Your Video é a celebração daquela coisa gloriosa chamada Rock N Roll” (Alan Di Perna), sábias palavras desse escritor, que é o autor da minha fonte de pesquisa. Está difícil tirar essa frase da minha frente para poder seguir escrevendo. Continuando, a banda iniciou o período para a gravação do álbum num estúdio localizado no sul da França e com eles havia o rascunho de 19 músicas para serem trabalhadas.

Lembrando que o AC/DC em 1988 já contava com 14 álbuns lançados em quinze anos de carreira (sendo dez produções de estúdio). Só para vocês terem uma ideia nessa época eu tinha 3 anos de idade! (observação totalmente dispensável, admito!). Sobre a cena do rock daquele momento, o guitarrista Angus Young tinha uma ideia bem definida a respeito do assunto: “Você tem que provar a si mesmo de novo e de novo”, mostrando o apetite sempre em “alta voltagem” (trocadilho com “High Voltage” – o primeiro álbum da banda), para assim manter o nível acelerado que é marca registrada da banda.

Foram acionados para produzir o álbum a dupla George Young e Harry Vanda, que já haviam trabalhado nos cinco primeiros discos da banda, entre 1973 e 1978. George, Malcolm e Angus Young, os irmãos novamente juntos! Para quem não sabe, George Young fez muito sucesso nos anos 60 com a banda “The Easybeats” (um bom assunto para futuras publicações no blog). George também foi muito importante para o surgimento do AC/DC, atuando na linha de frente bem no comecinho (baixista e guitarra) e depois seguindo na área de produção.

A respeito de outras curiosidades contidas no revelador texto do encarte, é deixado no ar que a irmã deles, Margareth Young, teria sido a responsável pelo nome “AC/DC” dado a banda, além disso, foi a primeira vez que o vocalista Brian Johnson (na banda desde 1980) trabalhou com os produtores Geroge Young e Harry Vanda. Provavelmente a resenha do encarte foi escrito na versão remasterizada de 2003, pois é mencionado que o Blow Up Your Video foi o último trabalho gravado com o baterista Simon Wright (que permaneceu na banda de 1983 a 1989). Quem anunciaria num futuro álbum que seria o último trabalho de determinado integrante? Essa conclusão foi fácil, admito - risos.

Das 19 músicas que entraram no estúdio com a banda, 10 foram escolhidas para ver a luz do dia no álbum Blow Up Your Video. As testemunhas oculares (prefiro dizer “reza a lenda”) garantem que as faixas escolhidas foram as mais escaldantes! De qualquer maneira, convido vocês a escutarem esse álbum, que certamente foi mais um grande trabalho do AC/DC. Vou ficando por aqui, a ideia é facilitar e se eu escrever mais, o texto ficará muito maçante e a atenção do leitor se dissipará! Última informação: o CD é facilmente encontrado no mercado, geralmente no formato Digipack.

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Abaixo algumas informações técnicas, acredito que isso é importante para o complemento da publicação:


Formação da banda na gravação do Blow Up Your Video:

Malcolm Young (guitarra rítmica, vocal de apoio)

Angus Young (guitarra solo)

Brian Johnson (vocal)

Cliff Williams (baixo, vocal de apoio)

Simon Wright (baterista, percussão)

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Músicas:

1. Heatseeker – 3:50

2. That’s The Way I Wanna Rock N Roll – 3:45

3. Meanstreak – 4:08

4. Go Zone – 4:26

5. Kissin’ Dynamite – 3:58

6. Nick Of Time – 4:16

7. Some Sin For Nuthin’ – 4:11

8. Ruff Stuff – 4:29

9. Two’s Up – 5:20

10. This Means War – 4:32

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Lançamento: 18 de janeiro de 1988

Gravadora: Albert Productions

Produzido por Harry Vanda e George Young

Minha versão: remasterizada de 2003

Formato Digipack

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Agradeço a visita e espero vocês aqui novamente!

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Buscando inspiração


O título pode ser enganoso, inspiração não me falta para escrever sobre música, talvez o que me falta é escolher entre as inspirações disponíveis. Enquanto digito o presente texto estou com os fones de ouvidos escutando uma coletânea da banda “The Angels”. Já adianto que esse álbum não pertence a discografia oficial da banda, mas entrega um bom trabalho com grandes sucessos intercalados entre execuções ao vivo e de estúdio. Mas afinal que banda é essa “The Angels”?

Estou aprendendo sobre eles, mas já sei que é uma banda essencialmente do gênero rock (com picos de hard rock) formada na Austrália no final do ano de 1970. Mas nem sempre tiveram esse nome, inicialmente eles se chamavam “Moonshine Jub and String Band” e depois “Keystone Angels”, isso até 1976, quando passaram a ser “The Angels” definitivamente e prontos para o mundo. O curioso nisso tudo é que eles receberam apoio de nada menos que Bon Scott e Malcom Young (integrantes do AC/DC) quando assinaram o primeiro contrato com a gravadora Albert Productions. E quem são eles?

Vamos lá, falando somente dos principais integrantes, já que as idas e vindas de gente naqueles anos iniciais foram muitos e a ideia aqui é informar sem complicar, temos Doc Neeson nas funções de vocalista e baixista, Rick Brewster na guitarra principal, John Brewster na guitarra rítmica (popularmente chamada de guitarra base) e Charlie King na cozinha (bateria!). Essa formação foi a que deu o pontapé inicial sob o nome “The Angels”. Eles assinaram contrato em 1976 com a Albert Productions já sem o “Keystone”. Só para situar, naquele mesmo ano de 1976, eles substituíram o baterista, Charlie King deu lugar a Graham “Buzz Throckman” Bidstrup e no comecinho de 1977 teve a entrada do baixista Chris Bailey, deixando Doc Neeson livre para se concentrar somente no vocal. Que tal mais algumas informações?

Só para não perder o fio da meada, ainda em 1976 eles lançaram o seu primeiro single, sob o título de “Am I Ever Gonna See Your Face Again”, na tradução “Eu verei o seu rosto novamente”. A versão ao vivo dela é ótima, um bom rock n’ roll grudento e contagiante. O segundo single surgiu em julho de 1977, com o nome “You’re A Lady Now” (Você é uma senhora agora), que não está listada na coletânea que estou escutando neste exato momento. Assisti o vídeo dessa faixa no YouTube e confesso que gostei pra caramba, a música contou com a adição de backing vocals (vocais de apoio ao fundo da voz principal) e um simpático som de gaita durante parte da execução.

Pararei por aqui por acreditar que o texto já está razoável para os interessados em conhecer essa banda e para quem já conhece, deixo disponível o espaço para me alertar, corrigir e sugerir caso eu tenha escrito algo diferente da verdade real dos fatos. Usei como base de pesquisa o Wikipedia na versão em inglês e procurei traduzir da melhor maneira possível (por ser uma enciclopédia editável por qualquer um, às vezes algumas informações podem não corresponder com a verdade). Os álbuns físicos dessa banda são extremamente difíceis de encontrar, prometo iniciar novas buscas por locais que vendam o material dessa banda e posteriormente divulgar no blog. Para não causar confusão, o nome “The Angels” é atribuído a inúmeras bandas, portanto, busquem sempre pelos roqueiros australianos!

Sobre a coletânea que estou escutando, ela se chama “The Angels – Greatest Hits”, lançada em 2011, pela Liberation Music, com licença exclusiva para a Austrália e Nova Zelândia. Comprei pelo eBay (condição “novo em folha”) em agosto de 2020, custando exatos $ 6,97 (aproximadamente R$ 38,00 na cotação do dia que fiz a aquisição). O álbum, em capa de acrílico, possui 18 faixas, sendo as oito primeiras execuções ao vivo (a remasterização está ótima). O encarte é bem simples, apenas com os créditos de cada faixa e uma foto em preto e branco da banda (não tem informação de quando é datada). Vim a descobrir depois que esse material possui uma versão de luxo, com um DVD contendo 39 vídeos, entre apresentações ao vivo e videoclipes. Tentar encontrar essa versão deluxe será um bom desafio. O meu destaque vai para a faixa “Marseilles”, que conheci anos atrás numa versão cover tocada pelo Guns N’ Roses.

Busquei trazer somente o início da banda “The Angels”, eles seguiram uma longeva carreira e estão na estrada até hoje (com algumas mudanças em relação aos integrantes originais), coisa que pretendo escrever numa outra oportunidade.

Segue algumas fotos do álbum:




Nos vemos em breve, enquanto isso, escute rock, pesquise sobre as bandas e tenha ótimas experiências!