terça-feira, 30 de agosto de 2022

Airbourne, RF Force e Manifesto Bar: uma noite para não esquecer...

O rock é incrível, não é mesmo?! Pois bem, no último dia 28 de agosto de 2022, presenciei com o olhar atento através das lentes dos meus óculos um show memorável. A banda de rock australiana Airbourne fez uma apresentação única no Brasil, mais precisamente no Fabric Club, localizado na cidade de São Paulo. Para temperar um pouco mais o meu testemunho, contarei como conheci a banda e consequentemente fui parar no show deles. Antes de mais nada, como sugestão, acesse o canal do Airbourne no YouTube e ative a playlist das músicas deles, tenho certeza que você passará mais tempo escutando do que a inocente curiosidade por algo novo permite.

Não faz muito tempo e não lembro ao certo quando ouvi falar do Airbourne pela primeira vez. Sei que foi em 2022, talvez no programa RHM Animal Records ou através de alguma lista aleatória no YouTube Music Premium. Bom, de qualquer maneira o fato do Manifesto Bar anunciar essa banda como parte (ou grande parte) da comemoração de 28 anos do bar certamente ativou um gatilho no meu cérebro que me fez escutar mais vezes o som dos caras. Uma discografia relativamente pequena até aqui, com 5 álbuns de estúdio, o primeiro deles em 2007, com o título “Runnin’ Wild”, com 11 faixas de fio a pavio de um rock sujo e reto, quase uma extensão de uma linha do AC/DC igualmente bem executada.


Cartaz oficial do show

Certo dia, num passado bem recente (ao longo do mês de agosto de 2022), conversando virtualmente com o meu nobre amigo Fernando Kucinski, vocalista da banda cover White & Purple Tribute (dedicada às bandas Whitesnake e Deep Purple), ele me revelou que iria ao show da banda Airbourne. Fiquei interessado no assunto e fui pesquisar, descobri que havia ingressos disponíveis e motivado (ou impulsionado) pela ingestão de algumas latinhas da ótima cerveja Baden Baden IPA Puro Malte Maracujá, comprei o ingresso pela bagatela de R$ 287,50 e mais 1Kg de alimento. O processo foi através do site Bilheto, e seguido de poucos cliques, lá estava eu imprimindo o comprovante e garantindo presença em um show internacional.

Outra ótima notícia foi saber que haveria banda de abertura e não “qualquer banda de abertura”, foram confirmados os brazucas da RF Force, projeto de heavy metal clássico idealizado pelo guitarrista Rodrigo Flausino, que já possui um ótimo disco de estreia autointitulado. Se você ainda não conferiu o trabalho deles, recomendo que busque o quanto antes. É prazeroso saber que no Brasil o rock e suas vertentes continuam presentes e com potencial de crescimento bastante promissor. A semana que antecedeu o show foi uma espécie de estudo sobre o Airbourne, não me agradava em nada a ideia de chegar ao show e não saber quase nada sobre a banda.

A minha intuição não estava enganada, a entrada foi tranquila, sem fila, deixei a doação do alimento na porta com um dos seguranças que estava realizando a revista pessoal, depois disso o meu ingresso foi valiado e assim entrei no Fabric Club, um galpão relativamente grande, conservado (limpo) e com uma variação limitada de bebidas (ponto que pode ser melhorado nas próximas ocasiões). Senti falta de uma loja oficial da banda Airbourne, fui com a intenção de comprar pelo menos uma camiseta e um álbum deles. Por outro lado, a RF Force marcou presença com a venda de produtos da banda. Eu já tenho o CD deles e recentemente fui presenteado com uma camiseta da banda pelo Rodrigo Flausino.


RF Force no palco

O show de abertura da RF Force começou por volta das 18h00 e foi incrível, as músicas autorais do álbum de estreia da banda soaram mais pesadas e cativantes ao vivo. Eles já começaram explodindo tudo com “Fallen Angel”, música que ficou na minha cabeça até depois do show (não me pergunte o motivo, só sei que o refrão ficou em mim por um bom tempo). O som do local estava altíssimo, não sei se isso é bom ou ruim, ainda bem que eu estava com um fone auricular, foi a minha válvula de escape para aquele tsunami sonoro que estava sacudindo o meu corpo. Não entenda como uma crítica, rock para mim tem que ser em alta voltagem mesmo, o fone ajudou para a minha cabeça não explodir antes do Airbourne subir ao palco (risos).


RF Force

Ainda sobre a RF Force, fizeram um medley muito oportuno com trechos de faixas das bandas Accept, DIO, Iron Maiden e Judas Priest. Uma banda com músicos de extrema competência: Marcelo Saracino (voz), Rodrigo Flausino (guitarra), Ricardo Flausino (baixo), Daniel Iasbeck (guitarra) e Lucas Emidio (bateria). A banda possui uma linha de som direcionadas para o heavy metal clássico, mas com elementos seculares, que soa muito bem na potência que um show ao vivo exige. O público gostou do que viu, muita gente extasiada e com o sangue fervendo para uma noite que estava apenas começando.

Não muito tempo depois, tudo estava pronto para receber o que facilmente classifico como AC/DC “moderno” e antes que o relógio combinasse os ponteiros para o anúncio das 20h00 o palco veio a baixo com um terremoto sonoro vindo das caixas de som Marshall ali postadas. A música de abertura foi um bombardeio sem precedentes (Ready to Rock), um cartão de visitas que nem precisava ser mostrado, praticamente um “pé na porta” para chegar arregaçando com tudo. O público foi ao delírio, já devidamente aquecidos pelo show que a RF Force ofereceu antes.


Com o meu amigo Fernando Kucinski (à esquerda)

Não deu tempo para respirar, olhar para o lado ou qualquer outra ação que não fosse ficar com o “saco de ossos” voltados para o palco. O vocalista Joel O’Keeffe usava uma calça com aqueles “rasgos” típicos de roqueiro desencanado, sem camisa e levando consigo uma guitarra que na hora me veio a cabeça a imagem da lenda viva Angus Young (AC/DC). A performance vocal me trouxe outra lembrança, dessa vez do onipresente Bon Scott (que pertenceu a fase de ouro do AC/DC) e que deixou este mundo precocemente em 1980. O som estava em alta voltagem (tomando emprestado o nome do álbum do AC/DC “High Voltage”, de 1976). Mas todas as comparações que estou fazendo são positivas, rememorar uma banda que já está no Olimpo é motivo de satisfação, e o Airbourne possui um som próprio que por vezes resgata influências do passado.


Airbourne em ação

Tentei (e consegui) gravar alguns vídeos para recordação e também dividir com os roqueiros e não roqueiros de meu convívio próximo e distantes (das redes sociais). Em breve estarão todos no meu canal no YouTube (basta pesquisar por “Roqueiro Sem Fronteiras”). Cada música executada carregava um solo de guitarra estendido e com os demais integrantes plenamente harmonizados e as erupções sonoras expelidas de seus instrumentos era reverberante naquele galpão. Além do icônico vocalista e guitarrista, a banda conta com Ryan O’Keeffe na bateria, Harri Harrison na guitarra base e voz de apoio e por fim, não menos importante, temos Justin Street no contrabaixo e acumulando com o vocal de apoio. Teve um certo momento que o Joel O’Keeffe saiu do palco e entrou na área do público, para agitar sobre o balcão do bar, o que levou o público a enlouquecer completamente.


Momento "barman"

Como tudo que é bom dura pouco, o show foi se encaminhando para o final, não antes da banda levar para o palco uma pequena mesa com rodinhas carregando dezenas de copos de plástico contendo cerveja e uísque e fazer a alegria da galera atirando para todos os lados para ver quem conseguia segurar o copo sem derrubar. Um pouco dessa cerveja me atingiu (risos), e para delírio de todos, uma distribuição de uísque Jack Daniel’s no gargalo foi oferecido pelo próprio frontman para quem estava rente ao palco. Algumas músicas foram emendadas umas nas outras, mostrando que show estava em um nível totalmente surreal, onde o 100% era pouco perto da energia que aquele palco e pista ofereciam. Até em shows em grandes arenas e estádios existe um momento de “recuperação”, onde uso para ir ao banheiro e me restabelecer. O que se viu no Fabric Club foi algo inédito para mim, eu não queria perder um só segundo daquilo.


Rock N' Roll em alta voltagem

A banda encerrou com a música “Runnin’ Wild”, que eu tive a oportunidade de gravar na íntegra, com o tradicional “bate-cabeça” sendo habilmente orquestrado pelo incrível Joel O’Keeffe. Um show que durou cerca de 1h30min, em que o Airbourne mostrou para mim e para os que estavam ali presentes que o rock é insuperável, imponderável e que traduz em cada instrumento um resultado indiscutível de prazer pela música. E outra coisa bem legal disso é que o meu amigo Fernando Kucinski presenciou tudo isso e não me deixa mentir!


Músicas tocadas no show (Fonte: Setlist FM)
Músicas tocadas no show (Fonte: Setlist FM)

Parabéns ao Manifesto Bar pelos 28 anos de existência e a banda Airbourne por me proporcionar um momento mágico que certamente não esquecerei.

domingo, 26 de junho de 2022

Reflexões e algumas novidades

Por vezes me senti incapaz em escrever neste blog pelo simples fato de acreditar que não estava produzindo um bom texto para as pessoas lerem. Falta de confiança? Talvez. O importante é que eu superei essa condição de acreditar que não estava fazendo algo minimamente relevante e aqui estou, de volta para conversar com vocês. Sou uma pessoa que me cuido bastante, mas por ser humano, não sou infalível, e assim acabei pegando a COVID-19, passei por uns oito ou nove dias numa condição de saúde jamais pensada antes. Venci esse difícil obstáculo, com apoio familiar imprescindível e uma disciplina sem exceções que fez a minha recuperação se concretizar.

Desde a última vez que escrevi para o meu despretensioso blog, aconteceram tantas coisas, é como se eu tivesse passado umas férias em outro planeta e retornado a um mundo diferente daquele de outrora em que postei o meu último texto. Para a música, garanto que foi melhor, onde eu fiz importantes descobertas, pude ver além das lentes dos meus óculos um emaranhado de bandas com qualidades superiores às deficiências. Deixarei claro que não sigo ordem específica, pode ser que eu cite bandas que descobri ontem e aquela que surgiu há mais tempo seja mencionada em postagens futuras. Não existe uma ordem específica, existe um sentimento indescritível pela música que me causa prazer.

O mundo não para, enquanto eu durmo tantas coisas acontecem a ponto de eu ficar para trás, no entanto, a vida nos permite muitas oportunidades, independente se o trabalho musical foi produzido nos anos 70 ou lançado antes de ontem, temos a chance de acessar pela internet quando quisermos. Não existe música velha para mim, existem terrenos não explorados. Se eu não descobri o som, pouco importa o ano em que ele conheceu a luz do dia. Para seguir, estou na terceira garrafa long neck da ótima cerveja belga Blue Moon. O tom alaranjado dessa cerveja é tão atraente que vejo sua cor em pensamentos (bebo muito socialmente, mais dentro de casa do que em qualquer outro ambiente). Chega de delongas, vamos ao que interessa!

A banda Vypera foi uma estrondosa surpresa para mim, com endereço na pequena cidade de Sandviken (Suécia), é para mim uma das melhores surpresas no ano de 2022. Sem a informação do Programa RMH (clique aqui), conversa de bar no bar do mais alto nível, dificilmente eu encontraria essa banda, que para mim é mais uma pela qual farei todo o possível para acompanhar. Sem esquecer, quero deixar registrado que o programa deles é gravado no Malta Rock Bar, localizado na zona sul da cidade de São Paulo (ao lado da estação do metrô Praça da Árvore). Eu estou constantemente sendo surpreendido, posso exemplificar ao conhecer essa banda, que me cativo desde a primeira faixa. Os caras estão debutando com o álbum chamado “Eat Your Heart Out”, lançado em 17 de junho de 2022. Escutei esse disco umas três vezes na íntegra, nem preciso dizer que vou comprar com o pessoal da Animal Records.

A banda seguinte é o que eu espero de uma banda de rock: atitude, presença, energia e qualidade. Estou falando do último trabalho de estúdio do finlandês Michael Monroe, com o álbum “I Live Too Fast to Die Young”, lançado no dia 10 de junho de 2022. São onze faixas contagiantes, com energia que falta em tantos outros álbuns de hard rock. Músicas ritmadas, com guitarras fortes e solos bem definidos (sem fritadas, mas com melodia). Michael Monroe não precisa provar mais nada para ninguém, só que ele faz exatamente o contrário e no alto dos seus sessenta anos, se reinventa para melhor a cada dia. Sou fã desse cara, pesquisem por shows dele no YouTube.

Página inicial do site Valhall

Não posso deixar de mencionar o site Valhall Music (www.valhallmusic.com.br), que possui um acervo incrível de mídias físicas de bandas de rock e todas as vertentes possíveis (como Heavy Metal, Thrash Metal, Doom Metal, Sinfonic Metal e tantos outros subgêneros do rock). Eu costumo comprar deles através da plataforma Shopee, e pelo fato da loja estar localizada em São Paulo, quase sempre recebo rapidamente as minhas encomendas. É uma propaganda que merece ser feita, pois eles enviam os itens muito bem embalados, sempre com o objetivo em promover a melhor experiência e satisfação possíveis do consumidor.

Carlos Chiarni e Paulinho Heavy
Carlos Chiaroni e Paulinho Heavy, durante o Programa RMH

Para finalizar, o meu agradecimento à algumas pessoas que possuem um significado especial para mim nesta altura dos meus 37 anos de vida (não citarei família por motivos óbvios, esses estão fora de qualquer ranking): Paulinho Heavy, o meu Mestre do Rock, suas informações e histórias me deixaram tremendamente melhor de um ano e meio para cá, o Carlos Chiaroni (dono da loja Animal Records, localizada na Galeria do Rock, em São Paulo) com sua vasta experiência por tudo que se refere o universo do rock, com vivências e conhecimento que só turbinaram o meu apetite por rock, o Fernando Rock, outro Mestre do Rock que a vida colocou em meu caminho, que me concedeu o certificado simbólico de “Gafanhoto do Rock” há cerca de 6 anos atrás, quando nossa amizade debutou neste mundo, além de outra pessoa que prefiro deixar no anonimato, mas que é um verdadeiro anjo da guarda em minha vida.

No próximo texto, falarei de outras boas descobertas!

terça-feira, 2 de novembro de 2021

O heavy metal que existe em mim

Quando escuto alguém falar que o “céu é o limite”, sou obrigado a discordar completamente. Para mim, o céu é o início do infinito, onde todas as coisas estão conectadas, algo que vai muito além da nossa linha de compreensão. Deixando a filosofia para falar sobre música, a cada dia que se revela diante de mim, ao menor movimento que faço no grande tabuleiro da internet, descubro uma nova banda de rock. E o mais legal de tudo isso é que são bandas relativamente jovens, com um futuro bastante promissor. Tenho encontrado pelo caminho muitas pessoas de um nível de altruísmo que beira o inacreditável, distribuindo conhecimento sobre música gratuitamente, enriquecendo a cultura daqueles que buscam se libertar das correntes oriundas da preguiça.


Carlos Chiaroni e Paulinho Heavy

Como premissa, foi através do Programa RMH (Rock, Metal e Hard), veiculado no YouTube e apresentado pelo Carlos Chiaroni e o Paulinho Heavy, que descobri a existência de diversas bandas. Cabe destacar o vasto conhecimento de ambos, parecem verdadeiros almanaques do rock. Recentemente eles gravaram um especial sobre Bandas da Suécia, além de trazerem detalhes sobre o Sweden Rock Festival, megaevento anual que ocorre naquele país desde 1992. Era o que eu precisava para iniciar o garimpo para novas descobertas. Munido do pôster oficial do festival, iniciei as pesquisas e os resultados têm sido fantásticos.


A primeira banda que apresento aqui é a “METALITE”, formada na Suécia em 2015, na capital Estocolmo. Escutei na íntegra o álbum “Heroes in Time”, que viu a luz do dia em 2017. Guiados pelo farol de um power metal melódico, a banda traz em sua formação a vocalista Emma Bensing, cuja participação resume somente nesse trabalho, enquanto que os demais músicos seguiram em frente com a Erica Ohlsson na voz. Achei curioso que todas as faixas iniciam com uma pegada eletrônica, rapidamente dissolvida em riffs de guitarras poderosos, com uma bateria afiadíssima e um vocal entrosado com uma sonoridade limpa e equilibrada dentro de cada música.


METALITE

Outra banda que fiquei bastante impressionado vem dos Países Baixos (ou Holanda, por assim dizer), é a “Within Temptation”, que está na estrada desde 1996, com uma produção instrumental de muita complexidade, onde cada detalhe é pensado com a paciência semelhante a um jogo de xadrez, mas com a intensidade de um trem europeu de alta velocidade e coberta de sofisticação. Escutei o álbum “The Unforgiving”, quinto disco de estúdio da banda, e posso dizer que fiquei realmente feliz com esse material. A faixa “Shot in the Dark” (nome repetido em 2020 em um single do AC/DC), é um convite para uma música de qualidade inquestionável. Tudo nessa banda funciona, nenhum instrumento é “atropelado” ou deixado para trás, assistir um show deles se tornou mais um item na minha modesta (e ousada) lista de desejos.


Within Temptation
Within Temptation

E essas duas bandas estarão no Sweden Rock Festival, o que comprova a qualidade absurda que esse megaevento promete para 2022. Pelo tamanho do cartaz desse festival, é certo que eu vou me divertir bastante nas próximas semanas, já que descobri uma verdadeira mina de ouro do rock. E não é que os tentáculos do metal e suas tantas linhas me pegaram de jeito?! A vontade de começar a adquirir material dessas bandas é tanta que mesmo antes de terminar este texto, me vejo com diversas janelas do navegador de internet abertas pelas lojas especializadas.

Nos próximos encontros trarei a vocês outras bandas movidas pela minha insaciável curiosidade.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Descompromissos, cervejas e rock

Desde o meu último texto, escrito e levado ao ar há poucos dias, fiz movimentos pouco onerosos para a minha mente. Isso não significa que não descobri coisas interessantes das quais faço questão de dividir neste espaço. Em comum nesse curto período foram as agradáveis degustações de cerveja, cada dia um rótulo diferente, não por capricho, mas consequência de um catálogo de ofertas no supermercado que considerei irrecusável. Quando se está desfrutando de alguns dias de férias, em tempos de exigências para o fiel cumprimento de protocolos sanitários e com algumas modalidades de vírus invisíveis soltos por aí, é uma tarefa difícil programar viagens ou mesmo passeios nessa tempestade de incertezas.

Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer

Certa vez, lá pelos idos de 2020, fui convidado pelo baterista Marcelo Jorge a conhecer o trabalho do trio britânico “Emerson, Lake & Palmer”, que traz em seu catálogo clássico uma mistura de rock progressivo com rock experimental, mas produzido com um requinte sinfônico, sei lá, não consigo classificar em apenas um gênero, o que mais gosto é o perfeito trabalho dos teclados (Keith Emerson - 1944-2016), produzindo um som limpo, sem outro instrumento competindo pelo mesmo espaço dentro da música. Estou em processo de descoberta dessa banda, tentando criar empatia, me transportando para aquele tempo e assim poder usufruir da melhor sensação possível a obra deles.

Falando em descompromisso, mas sem qualquer sinal de desídia, só o fato de poder fazer as coisas sem uma sequência necessária por esses dias de descanso, me permitiu conhecer outras maneiras de explorar novos universos. E saindo de um filme de guerra, absorvido diante de questões históricas, entrelaçadas entre realidade e ficção, me volto para um álbum da banda ELP chamado “Love Beach”, lançado em 1978. O meu destaque fica por conta das faixas “For You”, uma melodia pra lá de linda e a épica “Memoirs of an Officer and a Gentleman”, com mais de vinte minutos de duração. Descobri que esse álbum foi concebido sob forte imposição da gravadora e que os músicos careciam de criatividade naquele momento, devido ao cansaço físico e mental (afirmado por Emerson Lake numa entrevista anos mais tarde, em 1986). Mesmo tendo ficado um álbum distante se comparado às obras-primas lançadas na primeira parte dos anos 70, as faixas de "Love Beach" não deformam a boa reputação conquistada pela banda.

Falando um pouco sobre as cervejas, quem me conhece sabe com propriedade o meu amor pelas produzidas à base de trigo, são disparadas as favoritas do meu paladar. Mas também aprecio as amargas, passando tranquilamente pela zona de segurança da holandesa Heineken e aos poucos emprestando confiança à recente chegada da alemã Beck’s. Sobre as de trigo, tenho que exaltar com satisfação a Patagonia Weisse, produzida pelos nossos hermanos argentinos, a inspiradíssima belga Hoegaarden, que é produzida aqui no Brasil, além da encorpada Blue Moon, também da Bélgica, mas que só compro quando a promoção é muito boa, já que não tem um preço tão convidativo assim. E tomar uma cerveja dessas enquanto escuta um bom rock n’ roll é uma verdadeira cartase.

Não vou encerrar a conversa sem trazer outra banda de peso, também dos anos 70, com qualidade que me faz refletir em como tudo aquilo era possível diante da ausência dos recursos tecnológicos que temos atualmente. Os canadenses do Bachman Turner Overdrive são o verdadeiro retrato da receita do rock n’ roll conservada dentro de uma garrafa, lançada ao mar e descoberta algumas gerações posteriores. Surgiram em 1973 logo com dois álbuns, ambos levam o nome da banda, com o BTO I lançado em maio e o BTO II chegando no final de dezembro daquele ano. Dentre as músicas que mais gosto cito “Hold Back The Water” e “Blue Collar”, do primeiro álbum, e “Stonegates” e “Takin’ Care Of Business”, essa última um dos maiores sucessos da banda.

Entre um intervalo e outro, principalmente quando acabo de escutar um álbum ou uma boa miscelânea de grandes nomes do rock, faço minhas reflexões e fico rememorando muitas coisas, como a época quando entrei em contato com a música. Foi nos anos 2000, quando tinha 15 anos, para muitos uma idade tardia, mas comigo foi dessa forma, o rock entrou pelos meus ouvidos, sacudiu meu cérebro e conquistou o meu coração. E hoje estou retratando esse ótimo relacionamento de mais de 20 anos, já que o velho rock n’ roll me trouxe não apenas música, no mesmo pacote vieram novas amizades, descobertas e oportunidades. Sou grato.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O peso da escrita

Quando eu escrevo, penso bastante em cada palavra, principalmente pela preocupação em escrever coisas verdadeiras, citar fatos concretos e deixar bem claro o momento em que passo para o campo da minha opinião, pois esta não é baseada necessariamente pelo posicionamento de um conceito pré-definido, é o espaço da minha percepção para aquilo que estou avaliando e a partir daí o caminho está totalmente aberto para aqueles que concordam, discordam ou se abstém de tomar posição, tudo perfeitamente bem-vindo no universo democrático. Quando eu abordo sobre determinada banda ou artista, estou colocando em questão os pontos que me motivaram a dividir com as pessoas o que despertou o meu interesse, não significa que eu não gosto de falar sobre outras bandas que não entraram naquele prisma. Se eu falo sobre Deep Purple, é simplesmente porque estou falando sobre Deep Purple, não é uma mensagem subliminar de que estou evitando outra banda ou negando qualquer outra coisa. Se eu puder e tiver saúde mental para escrever sobre o máximo de bandas possíveis, pode ter certeza que o farei com o maior prazer, a minha ideia é difundir o rock através das minhas modestas percepções e estimular a curiosidade das pessoas.

Recentemente tive contato com diversas bandas de um cenário mais distante das grandes mídias, ou seja, foi através do trabalho de pesquisas e mais pesquisas que encontrei esses trabalhos. E a experiência, válida por si só independente do resultado, foi positiva mais uma vez. Bandas como Night, por exemplo, merece ser trazida à luz do dia. Não estou me referindo à banda formada em Los Angeles em 1978 e que possui dois álbuns em sua discografia, mas sim da versão homônima criada na Suécia em 2011 e que produz um hard rock e heavy metal com distinta qualidade. Em 2020 eles lançaram o álbum “High Tides – Distant Skies” que oferece um som equilibrado (sem alternância de momentos bons e regulares ou ruins). Me agradou bastante a ponto de eu comprá-lo em versão “jewel case” no site brasileiro da Hellion Records (www.hellion.com.br).


Outra banda que tive a oportunidade de descobrir vem da Áustria, a Küenring, formada em 2010. O meu primeiro contato com eles foi exatamente pelo final, através do último álbum lançado, o “Neon Nights”, que chegou ao mercado no final de abril de 2021. Eles correm por algumas vertentes dentro rock, passando pelo hard rock, speed metal (preciso entender melhor essa definição) e o heavy metal. Até agora não encontrei solução rápida para adquiri-lo, o caminho provavelmente será comprar através do site oficial da banda, cuja primeira prensagem encontra-se esgotada. Nos encontros futuros aqui no blog falarei mais a respeito da banda e desse ótimo trabalho lançado, com linhas de vocais e guitarras bem definidos, captando facilmente a atenção do ouvinte. Como aperitivo, pesquisem a faixa “Demon” desse álbum, começa com violões e termina com um contagiante trabalho de guitarras.

Para quem gosta dos anos 80 e não abre mão dessa década por nada deste mundo, trago uma banda de um disco apenas, mas que entrega logo de cara um material digno de continuidade, pena que o projeto não seguiu em frente. Trata-se a banda britânica Jagged Edge, com o álbum “Fuel For Your Soul”, lançado em 1990. Formada em Londres, eles enquanto unidade tiveram vida curta dentro do rock, mas deixou sua marca com um glam rock digno de resenhas e que não pode ser esquecido. Conheci essa banda depois de ver uma postagem do Grey Robinson, roqueiro de Birmingham, no Instagram. Tanto que a foto que utilizo foi extraída da página dele. E aqui deixo registrado o meu agradecimento e gratidão.

Me disseram que os textos para blogs devem ser curtos, pois as pessoas não chegam até o final, seja por falta de tempo, preguiça ou qualquer outra razão. Momento que peço licença para discordar, quem está interessado em conhecer mais sobre algo vai até o fim, mesmo que seja para discordar integralmente depois. Não pretendo reduzir meus textos para alcançar possíveis leitores que “passam os olhos rapidamente” pela página, essa não é e nunca foi a intenção das publicações dos meus textos. E dessa forma eu fico por aqui, mas com a garantia de que em breve trarei novidades, existe muito rock sendo criado por aí, o planeta guarda muitos segredos, o meu (nosso) desafio será descobrir essas preciosidades. Que os riffs de guitarras guiem os nossos passos para novas descobertas!